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Equipa económica de João Lourenço divide especialistas angolanos

  • Manuel José

Banco Nacional de Angola

Entre a esperança e o mais do mesmo

Especialistas angolanos mostram-se divididos quanto à nova equipa económica do Presidente João Lourenço com alguns a manifestarem-se esperançosos de mudanças e outros a dizerem ser “mais do mesmo”.

O elenco económico do novo Executivo liderado por João Lourenço não mudou muito em termos de composição.

Mantêm-se os titulares das Finanças, Archer Mangueira, Pescas e Mar Vitória de Barros, Transportes Augusto Tomás, da Agricultura Marcos Nhunga e da Indústria Bernarda Silva.

Como caras novas, entraram o ministro da Economia e Planeamento, Pedro da Fonseca, do Comércio Jofre Van-Dunem Júnior e uma coordenação supra liderada por Manuel Nunes Júnior como ministro de Estado para o sectorDesenvolvimento Económico e Social.

O especialista em macro-economia Galvão Branco acredita que a nova equipa tem um reforço de peso, como o ministro para o Desenvolvimento Economico e Social, Manuel Nunes Junior, que pode servir de coordenador-geral de toda actividade económica do Executivo, algo que não acontecia.

Contudo, Branco alerta para a possibilidade de conflitos entre o gabinete e a Presidência.

"Tenho algumas dúvidas do ponto de vista da eficiência e operacionalidade no funcionamento entre o staff de apoio ao Gabinete do PR e a Casa Civil e de Segurança”, disse, pprque, para ele, "parece haver ali uma fronteira de eventual conflitualidade entre os dois sectores da Presidência da República".

José Severino, presidente da Associação Industrial de Angola, entende que a equipa económica tem um desafio urgente.

"Bem haja o novo Governo mas é preciso que trabalhe com a sociedade civil porque nenhum de nós é dono de toda verdade”, sustentou.

“Penso que há um novo modelo de gestão, só esperamos que as coisas que estão bem sejam melhoradas, as que estão mal sejam corrigidas, mas continuo a dizer que há coisas que estão muito mal e que devem ser corrigidas e depressa", acrescentou.

O economista Damião Cabulo entende que não houve mudança sobre as mentes de quem dirige o país.

Para ele, se não se alterar a orientação política, venham as equipas que forem, não haverá grandes resultados.

"A maior parte destes políticos da equipa de João Lourenço é integrada por empresários, o que gera conflitos de interesses e quem sofre em última instancia 'eé o povo, a camada mais baixa”, disse.

“Desde 1975 que os modelos económicos são os mesmos, os discursos das pessoas são os mesmos, muito bonitos mas na prática nada se altera”, concluiu.

Outro economista que se mostra céptico em relação ao sucesso desta equipa economica é Estevao Gomes.

"Uma economia para crescer deve produzir em grande escala e haver excedente de producao, aquilo que não conseguirmos produzir importamos, isto faz com que tenhamos receitas não sá para o sector agricola mas tambem para o OGE", explica.

Entre os economistas que nao acreditam que possa haver resultados está Faustino Mumbica que quer ver João Lourenço diante dos representantes do povo para prestar contas.

"Penso que um sinal mais claro de mudanca é João Lourenço, por altura da discussão do OGE, ir proprio aàAssembleia Nacional e não delegar no seu auxiliar como fazia José Eduardo dos Santos", desafia Mumbica, para quem assim se conhecerá a sua proposta económica.

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