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Efiko, festa da puberdade no Namibe marca a passagem

  • Armando Chicoca

Quem não passa pelo Efiko é uma mulher sem valor e não pode ter filhos vivos

Puberdade é uma festa tradicional das comunidades Nhaneca, Humbi, Mucubais, Kwanhamas no do Sul de Angola que marca a transição das meninas da fase de adolescente para a adulta.

Aos cuidados e responsabilidade dos pais, as meninas passam a ser responsáveis pelos seus actos quando atingem idades entre os 14 e 16 anos, altura em que os seios, por exemplo, já estão crescidos e tradicionalmente devem passar pelo ritual de dar a conhecer à sociedade que já são mulheres.

A partir daqui todo um mundo de possibilidades se cria, a jovem pode ser pretendida e casar-se tradicionalmente bastando à família do rapaz pagar três bois que significam: Kowina (da parte da mãe) Thuinha ( o boi que é abatido e a carne é consumida pelas comunidades) e " Namatuka", retorno da família.

Durante a festa da puberdade os pais ou tios matam um ou dois bois simbolizando o poderio da familia nesta festa onde haverá igualmente bebidas de todo o género.

Festa da puberdade no Namibe
Festa da puberdade no Namibe

Nesta festa não se emitem convites, está aberta a qualquer pessoa do bem. Come-se, dança-se "ovindjomba" ao som do batuque. Não há "civilizados ou calcinhas", quem se identifica com esta cultura sabe que não há cerimónia, não há formalidades.

Quanto mais pessoas participam na festa mais fama ganha a família. Três dias antes, as famílias sacrificaram ou mataram um cabrito, altura em que os pais perceberam que a filha já é uma mulher.

O cabrito em causa simboliza o fim de dura responsabilidade pela filha ou agradecimentos pelo facto de a filha ter cumprido os princípios doutrinais da cultura que é de não engravidar antes do "Efiko".

Durante os três dias, em que as meninas ficaram fora de casa, que terminaram hoje (Domingo 8), estiveram sob custódia de uma outra rapariga que já fez Efiko, a chamada mãe.

Festa da puberdade no Namibe
Festa da puberdade no Namibe

Esta tem como missão cuidá-la, dando-lhe banho e protegê-la de eventuais actos de violação sexual, porque durante as cerimónias ela esta proíbida falar ou gritar - ainda que a serpente ou lacrau lhe venha morder.

Os rapazes da mesma cultura entendem que este é o momento de seduzir as miúdas. Exibem todo trajo possível ou imaginário para provocar interesse na menina que agora tem caminho livre para namorar.

Na tradição dos povos do sul de Angola, a jovem que se casa ou engravida sem passar por Efiko ou festa da puberdade é uma pessoa sem valor, igual a um bolo ser fermento, não pode ter filhos vivos, azarada, podendo ser mordida por cobras ou vitima de vultos, assombrações e muita coisa má até a sua morte.

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