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Doença renal mata enquanto se combate especulação de preços de diálise em Angola 


Centro de Diálise, Benguela

Cada sessão de tratamento é avaliada em 400 dólares

A insuficiência renal está a provocar muitas mortes em Angola, sobretudo na cidade do Lubango, ainda sem um centro de hemodiálise, quando em Benguela as clínicas são confrontadas com uma gritante escassez de medicamentos por falta de dinheiro.

O Instituto Angolano do Rim, parceiro de entidades privadas, lembra que a dívida do Estado vai em cinco mil milhões de kwanzas (cerca de 24 milhões de dólares ao câmbio do Banco Nacional), enquanto o Ministério da Saúde procura combater a especulação de preços no tratamento da doença.

Doença renal mata enquanto se combate especulação de preços de diálise em Angola - 2:25
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Este combate, segundo a Agência de Notícias (ANGOP), que cita uma fonte do pelouro da ministra Sílvia Lutukuta, será feito mediante a criação de unidades afectas a hospitais públicos.

Segundo apurou a VOA, em Benguela, onde estão mais de 200 pacientes, cada uma das três sessões semanais nos centros de diálise é avaliada em 400 dólares americanos.

Nesta província, com um registo de oito mortes em 30 dias, pacientes e familiares são forçados a comprar medicamentos, bastante caros, conforme os testemunhos de Luís Rodrigues e Lourdes de Freitas.

“Aqui já não há sessões de diálise, não há medicação nenhuma para além da limpeza de sangue. Tínhamos de apanhar ferro injectável e outros medicamentos, estamos a ser tratados como bichos. Sei que os centros são para salvar vidas, não para ceifar, por isso digo que ninguém quer saber’’, informa Rodrigues, ao passo que a esposa afirma, mediante dados da Saúde, que ‘’no Lubango morrem três, quatro a cinco pessoas por dia. Precisamos de um centro lá, somos 85% dos pacientes em Benguela’’.

Já a par dos casos de mortes, o presidente do Instituto Angolano do Rim, Jesus Rasgado, adverte que a dívida condiciona a aquisição de medicamentos e a criação de um centro na capital da província da Huíla.

’Estamos pendurados porque a dívida do Ministério da Saúde é grande. Nem sequer conseguimos comprar gastáveis, assim como não pagamos os salários. Se houver dinheiro hoje, acredito que resolvamos o problema do Lubango em três ou quatro meses’’, sustenta o gestor.

Nos centros de diálise de Benguela e Lobito, com mais de 100 profissionais, caminha-se para cinco meses de salários em atraso.

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