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Dificuldades dos angolanos reflectidas no bairro do Tapo


Comunidade do bairro do Tapo

Sector privado chamado a ajudar

Angolanos através do país estão a sentir crescentes dificuldades económicas devido ao aumento generalizado dos preços dos produtos básicos.

Junte-se a isso a continuação de problemas anteriores como a falta de escolas e medicamentos nos hospitais e a situação apresenta-se difícil no novo ano agora iniciado.

Comunidade do Tapo - 20:03
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Um exemplo claro disso vem da comunidade do Bairro do Tapo localizada na comuna da Barra do Kwanza, a cerca de 60 quilómetros a sul do centro de Luanda.

A população não tem qualquer receio de manifestar o seu desagrado, pois que é o desenvolvimento social de uma comunidade com mais de 2.500 habitantes que está em causa onde as crianças e adolescente são quase a metade da população.

“É uma dificuldade enorme de falta de água potável, meios de transportes, escolas, postos médicos. Estamos a consumir água salobre da empresa Wenji que meteu lá uma cacimba. É “desenrrascar”, disse Mateus António, que se juntou a esta comunidade há 19 anos.

A população lamenta por outro lado que da parte do executivo não chegam apoios, nem mesmo para minimizar as dificuldades de deslocação para ter acesso aos serviços básicos de saúde e educação ou para diminuir o número de crianças fora do sistema normal de ensino.

“O governo só uma vez que veio, que entregou qualquer coisa na administração. Mas agora nos falta água, escola e as crianças estão a andar muito para ir a escola”, lamentou Domingos Mawengue.

Diàriamente as crianças percorrem perto de 10 quilómetros para frequentarem as aulas. O percurso é perigoso, pois que, para além de enfrentarem a alta velocidade com que circulam as viaturas naquela estrada que liga Luanda ao sul e centro de Angola, os petizes também encaram o risco de serem mordidos por cobras e outros animais escondidas pela mata adentro por onde passam para encurtar a distância de casa para escola.

“Eu ando a ir a pé. Vamos mata-mata para fugir os carros. Na mata tem cobra mas não aparece muito. Uma vez estávamos a passar e vimos no caminho uma cobra morta”, relataram alguns petizes.

Eu gostaria que aqui tivesse escolas, hospitais, luz água. Sinto-me mal ver as outras pessoas a consumirem esta água (salobra) porque podem contrair doenças, conta a adolescente Betinha, residente há um ano no bairro do Tapo, que pede outro lado a melhoria das condições de vida da população.

O Bairro do Tapo foi fundado há mais de 30 anos. Conta actualmente com mais de 2500 (dois mil e quinhentos) habitantes entre crianças, jovens e idosos. Um número que cresce sem o acompanhamento do desenvolvimento social e humano que se precisa na região.

A ausência de um posto médico, escola e água potável, segundo o Presidente da Comissão de Moradores, Joaquim António, é actualmente a maior dificuldade.

O ancião relatou que é urgente a construção de um posto médico na comunidade porque “pode nos calhar alguém doente e somos obrigados a andar a pé até no Ramiro. Inclusive até fora de hora, mas somos obrigados a nos deslocar para poder socorrer esta vida”.

Os prantos sobre a inexistência de apoios da administração central de Luanda foram reiterados por Joaquim António, “o Governo ainda não fez nenhuma coisa para esta comunidade. O governo sabe das dificuldades, porque temos aqui próximo a administração comunal da Barra do Kwanza que sabe quais são as carências da população desta área”.

O bairro do Tapo tem a ventura de fazer fronteira com a Ilha do Mussulo, um dos mais requintados e frequentados locais turísticos de Luanda. O Oceano Atlântico e uma vasta flora circulam o bairro nos seus limites, são paisagens que apenas servem o turismo e os turistas.

É de pequenos negócios e empregos precários em empresas que exploram a região que vive aquela população proibida de pescar por escassez de meios de trabalhos e pela inexistência de uma cooperativa devidamente autorizada pelo Governo.

O líder da comunidade apelou à a intervenção e o apoio de empresários.

O apelo aos empresários foi ouvido pela Associação Juvenil de Apoio às Comunidades que tem estado a mobilizar recursos e ajudas para construção de centros médicos e escolas de modos a reduzir as dificuldades da população do Tapo.

“O Tapo é o nosso grande e primeiro projecto e queremos ver o sonho desta comunidade devidamente realizado”, disse Hermenegildo Manuel presidente da Associação Juvenil de Apoio às Comunidades, AJACOM, para quem socorrer esta comunidade carenciada da capital do país deve ser urgente, para a posterior alargar o seu raio de acção solidária a outros pontos do país.

Há três anos que a AJACOM vem apadrinhando a comunidade do Tapo e, em 2017 conseguiu mobilizar um parceiro para esta causa. É com este propósito que a associação juntou-se ao grupo Núcleo de Comunicação, que ofereceu à população do Tapo diversos bens. A acção é enquadrada numa campanha denominada Natal Solidário. Foram oferecidos materiais escolares e bens de primeira necessidade não perecíveis.

O esforço não vai acabar com as dificuldades da comunidade do Tapo. Disso está consciente o presidente da AJACOM, Hermenegildo Manuel, que entende ser grave o facto de muitas empresas em Angola não exercerem a sua responsabilidade social para com as comunidades onde operam.

“O nosso país tem um problema na minha visão grave. Maior parte das empresas não consegue executar a responsabilidade social. Trabalham todo ano, mas não conseguem desenvolver acções solidárias”, afirmou.

Solidário com a comunidade do Tapo, Maurício Santana, Director Geral do Grupo Núcleo de Comunicação, está confiante que num curto espaço de tempo pode mobilizar recursos junto de outras instituições para colocar a disposição daquela população bens, serviços e infraestruturas essenciais.

“Não tenho dúvidas que em curto espaço de tempo podemos conseguir introduzir aqui serviços para melhorar o dia-a-dia deles”, frisou o empresário para quem a grande preocupação, para além de escola, água potável, energia, luz e hospitais, a melhoria da renda dos membros da comunidade deve ser primordial.

Santana acredita que contribuir para uma melhor valorização da produção local seria a maneira ideal para começar a ajudar a população.

“Contribuir na produção local seja no artesanato, na produção do sal e na pesca são três elementos em que a gente conseguiria formar pessoas, eles se juntarem em cooperativa e por meio desta eles poderiam produzir melhor e mais e comercializar os produtos, para que possam ter rendimentos próprios”, explicou o empresário brasileiro.

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