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Desmilitarização da Renamo entre reticências e a esperança de um fim próximo


Guerrilheiros da Renamo contra Ossufo Momade (Foto de Arquivo)

Embaixador da União Europeia e analistas moçambicanos divergem quanto ao fim do processo

O Embaixador da União Europeia em Moçambique, António Sanchez Gaspar, diz que o processo de desmobilização do braço armado da Renamo, na sua opinião, uma história de sucesso, estará concluido até final de 2022.

Alguns analistas consideram que o diplomata pode estar a ser bastante optimista.

Desmilitarização da Renamo entre reticências e a esperança de um fim próximo
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Sanches Gaspar referiu que o processo de desmilitarização, desarmamento e reintegração (DDR) "está a funcionar bem, e acho que até final do próximo ano, vai estar concluido", realçando que "após 40 anos de conflito, este processo é uma história de sucesso".

"Isto dito por alguém que está envolvido neste processo, penso que é uma boa notícia, e podemos acreditar que, realmente, estão a fortificar-se os sinais de uma paz efectiva", reage o bispo emérito da Igreja Anglicana em Moçambique, Dom Dinis Sengulane, para quem, "isto é resultado da cultura de diálogo que está a enraizar-se na nossa sociedade".

"Sempre que houver diálogo, os resultados são positivos; pode levar muito tempo, mas verdade é que o diálogo é a base da consolidação da paz", enfatiza.

Refira-se que a União Europeia faz parte de grupo de parceiros que financia com cerca de 20 milhões de dólares o processo de pacificação em Moçambique.

Entretanto, o Presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD), Raúl Domingos, que esteve envolvido no anterior processo de desmobilização do braço armado da Renamo, depois do acordo de paz de 1992, diz que o prazo apontado pelo embaixador da União Europeia pode não ser realista.

O sociólogo Francisco Matsinhe também duvida que o calendário seja cumprido, porque "não pode ser um processo forçado, sob o risco de ser uma acção mal acabada, com consequências desastrosas para aquilo que é o desejo de todos; a paz definitiva, sobretudo porque envolve pessoas que viveram mais de 40 anos com armas no mato".

Ele refere que, "presentemente, cerca de 400 antigos guerrilheiros da Renamo já desmobilizados, reclamam que não recebem subsídios de desmobilização há três meses, isso é preocupante".

Contudo, para o jornalista Filipe Madinga, "tendo em conta a realidade no terreno, penso que é possível levar este processo a bom porto, e isso significa o princípio do fim de uma situação em que temos um partido político armado".

Por seu turno, o jurista José Machicame entende que se o processo não ficar concluido dentro deste prazo, vai ser apenas por questões logísticas, e não por falta de interesse da Renamo, porque, na sua opinião, este partido está comprometido com a paz.

Machicame avança que a criação, recentemente, na cidade da Beira, pela Renamo, da comissão de paz, democracia e desenvolvimento sócio-económico, traduz o esforço deste partido para desconstruir a imagem que alguns sectores da sociedade têm de uma Renamo belicista.

Refira-se que, na sexta-feira passada, o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, reafirmaram a determinação de tudo fazerem para que o braço armado do antigo movimento rebelde seja desmobilizado.

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