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Cultura: Artistas da província angolana de Malanje pedem apoio para publicação de livros


Malanje, Angola

A terra da palanca Negra Gigante tem se desvendado um autêntico viveiro das artes. A cada dia novos artistas surgem e com o seu saber artístico pintam o mosaico cultural da província de Malanje. Mas a falta de apoio aos artistas aborta prematuramente o sonho de participar da edificação das acções culturais.

É na literatura onde Francisco Mukemekena e Lau Siabra, Secretário Executivo do Lev´arte Malanje encontram espaço para manifestar os seus dotes artístico-culturais.

A falta de incentivo e de apoio consome a chama artística que inflama a essência dos artistas em Malanje, reclama Francisco Mukemekena, que é vice-coordenador do núcleo provincial do Lev´arte. O favorecimento e a preferência pela música em detrimento de outras artes como a literatura deixa triste o poeta que sonha publicar uma obra literária.

Não obstante as habilidades e o profissionalismo com que cultivam as artes, os artistas dizem-se marginalizados pelos empresários e promotores de eventos.

«Os promotores de ventos não são amigos de poesia. A poesia ainda não está a ser bem aceite a nível da nossa província», explicou o poeta para quem “há galas em que se vêem kuduristas inseridos, mas os poetas separados”, desabafou.

Lau Siabra poeta, partilha da mesma opinião: “fazer arte em Malanje é difícil porque não temos incentivo e apoio de quem devia”.

O poeta que encontra no Leva´arte o único lugar para manifestar o seu dom artístico lamento o facto de serem vistos como “dementes”, pela sociedade malanjina, que faz resistência contra valorização da literatura e da poesia em particular.

«A arte em Malanje é um pouco difícil. Por vezes as pessoas esprezam e ignoram. Chamam-nos de malaucos por vezes, mas ainda assim em rendemos esforços para ver se conseguimos levantar Malanje em termos de arte».

Agente Panela é humorista. O artista diz ter já conquistado o público, mas a falta de salas adequadas e apoios da administração provincial limita a execução da sua acção artística.

«Para atingir o auge é necessário apoio. Não basta ter talentos», explicou.

Se as belas artes são desprezadas nas terras da Rainha Njinga Mbandi, o mesmo não se pode dizer das artes cénicas e da música. A cada dia o teatro vai conquistando o seu espaço e convencendo os malanginos. É também esta esfera das artes que mais tem recebido apoio do departamento de acção cultural na província da Palanca Negra Gigante;

«Temos vindo a massificar todas as artes. E no que toca ao nosso trabalho como Departamento de Arte e Acção Cultural, temos estado a aconselhar todos os jovens no sentido de se aplicarem mais naquilo que fazem. Temos sido correspondido pelos artistas», declarou.

Mukwa Kituxi tem duas obras literárias escritas e prontas para serem publicadas, mas a falta de apoio tem dificultado a realização deste seu sonho.

«A publicação é o problema que temos, desabafou o candidato a escritor que diz conhecer as realidades de Luanda e Malanje no que toca ao apoio para publicação de livros.

«Se Luanda para conseguir um patrocínio para publicação de uma obra literária é quase impossível, imagina em Malanje que para encontrares um empresário é preciso procurá-lo pelo binóculo», lamentou.

Francisco Ngola é o director do Departamento de Artes e Acção Cultural da província de Malanje e defende a auto sustentabilidade da arte e dos artistas.

O responsável reconhece que o apoio prestado aos artistas não satisfaz as suas reais necessidades.

«O apoio às vezes não satisfaz o que o artista quer. É absurdo que um artista é convidado para dar uma entrevista em Luanda e também quer patrocínio», disse.

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