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Crise IURD em Angola: analistas fazem leituras diferentes sobre impacto nas relações com Brasil


Pastores angolanos da IURD em Benguela, Benguela

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, enviou uma carta ao seu homólogo angolano, João Lourenço, em que pede que seja aumentada a proteção dos membros da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, “a fim de garantir a sua integridade física e material, e a restituição de propriedades e moradias”.

Até agora, desconhece-se qualquer resposta de João Lourenço.

Apesar de o caso ser iminentemente jurídico, pode ter implicações politico-diplomáticas, mas analistas angolanos divergem sobre seu impacto nas relações entre os dois países.

Conceição Vaz, especialista em Relações Internacionais, alerta que o conflito entre os pastores e bispos brasileiros e angolanos pertencentes à IURD em Angola, está apenas a começar.

Vaz lembra que a Igreja Universal é uma instituição bastante poderosa no Brasil por ter ajudado nos últimos anos a colocar vários presidentes no poder e, por isso, entende que a atuação do Governo brasileiro será bastante forte.

“Estamos a falar de uma instituição que é poderosa, dificilmente na ultima década algum Presidente Brasileiro foi eleito sem qualquer influência dessa instituição, estamos a falar duma instituição que controla milhões de pessoas e de dinheiro, e que controla uma parte da media no Brasil, e por isso a prestação do Estado brasileiro não será passiva, será activa”, afirma Vaz, quem aconselha o Executivo angolano a proteger a soberania e que a diplomacia possa defender os seus interesses.

“Diplomacia é para negociação, mas é preciso que Angola faça uma diplomacia positiva no sentido de poder fazer valer os interesses dos angolanos, essa é que é a prioridade para qualquer estado”, advoga aquela académica.

Por seu lado, Osvaldo Mboko, também especialista em Relações Internacionais e professor universitário, entende que as relações entre Angola e Brasil são de irmandade e por isso não prevê qualquer mal-estar entre os dois Estados.

“É pouco provável, no meu entender, que esta situação resvale para um clima animosidade entre os dois Estados, considerando os negócios e é pouco provável que esta situação perigue as relações diplomáticas entre os dois países”, diz.

Na sexta-feira, 17, o Executivo angolano, através da ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira, negou no Parlamento existir perseguição aos pastores e bispos brasileiros pertencentes à IURD.

Em 2016, 300 pastores angolanos decidiram romper com a direção da igreja por supostos crimes de racismo, discriminação social, abuso de autoridade, faltas de respeito, humilhações públicas contra pastores angolanos, evasão de divisas e repatriamento ilícito de capitais.

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