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Crise económica angolana não é só culpa do petróleo


Autoridades erraram ao assumir preço do petróleo muito acima da média, diz analista

A ideia de que a crise económica e financeira em Angola está ligada apenas a queda da baixa do preço do petróleo no mercado internacional é uma falácia, disse o Director Executivo do MOSAIKO-Instituto para Cidadania, Frei Mário Rui.

Segundo Mário Rui as autoridades angolanas cometeram o erro de assumir “um preço exageradamente alto do petróleo como preço de referência”.

“O preço do petróleo neste momento é o médio dos últimos 40\50 anos” disse o analista que frisou que “desde o princípio dos anos 70 ter o preço do barril a 50 USD é preço médio”.

“Só que nós como apanhamos uns dez anos em que esteve a 100\120 e achamos que o normal seria aquele», defendeu o também docente universitário.

A quebra do preço do petróleo tem tido consequências indeléveis na economia angolana, sobretudo no PIB-Produto Interno Bruto.

O não crescimento da economia angolana, na visão do economista e docente universitário Alves da Rocha, condiciona o desenvolvimento de outros sectores da vida pública de Angola.

Alves da Rocha Director Geral do Centro de Estuidos e Investigação Científica, CEIC entende que a baixa do preço barril de petróleo devia ser uma oportunidade para obter outras fontes de financiamento da economia, porém há obstáculos como a corrupção e a burocracia que dificultam a inversão do ciclo;

«O essencial das oportunidades e os financiamentos continuam a ter uma componente política muito elevada, e isto não pode continuar assim», disse

O economista sublinhou por outro lado que «não podem a ser sempre os mesmos grupos a terem acesso aos financiamentos e a informação que dá conta de oportunidades que o próprio Estado pode criar», porque “para além de desincentivar o funcionamento das economias» é tremendamente injusto do ponto de vista social.

«A Constituição da República diz que o acesso as oportunidades é democrático, tem ser facilitado para toda gente”, disse o economista.

“ Portanto, não se pode continuar a concentrar a localização destas oportunidades e dos financiamentos num grupo de pessoas ligadas ao poder político», acrescentou.

Para o director do CEIC é importante que o sector público crie as necessárias condições para que o investimento privado flua e para que as iniciativas empresariais nacionais resultem na geração de rendimentos mas para isto acontecer tem que se ultrapassar dois problemas, nomeadamente «a burocracia e a corrupção».

Angola é signatária de acordos internacionais contra a má governação e possui no seu ordenamento jurídico leis contra corrupção, crimes como desvios de recursos e lavagem de dinheiro.

A Instauração de uma Alta Autoridade Contra Corrupção prevista na legislação angolana desde 1996, é umas das saídas para se pôr cobro ao “segundo mal de Angola”.

Viera Lopes apontou o sector da energia é uma componente fundamental para o sistema produtivo nacional.

O Director Geral do CEIC reconhece que poderosos investimentos têm sido feitos no sector energético, porém é na distribuição e na disponibilidade para a indústria onde reside o maior problema.

«O sistema produtivo nacional não pode continuar a viver de geradores”, disse.

“ O funcionamento de uma indústria, a disponibilidade de energia para agricultura em termos competitivos não pode depender de geradores», acrscentou

Filomeno Vieira Lopes é economista, político e quadro sénior reformado da Sonangol, a maior empresa pública de Angola, entende QUE a corrupção é um assunto sério no país pelo facto de afectar a estruturas políticas do Estado angolano.

«O Estado corrupto perde naturalmente legitimidade, é por isso que agora estamos contentes com o lema da credibilização, quando há instituição que não se fazem respeitar», disse o economista e membro da direcção do partido Bloco Democrático, para quem «por causa da corrupção temos situações terríveis perfeitamente elementares, criticadas por qualquer criança desde o estado do saneamento básico, Às mortes que se fazem nos hospitais e tudo isto….”

Vieira Lopes recordou que “um Estado que não cuida destas questões públicas simples é um Estado delinquente».

Frei Mário Rui, Director Executivo do MOSAIKO-Instituto para Cidadania recorre ao sector para saúde para exemplificar que investir grandes somas monetárias não é o mais importante. Onde e como o dinheiro é aplicado, é sim o elemento que vai determinar o desenvolvimento humano e social em Angola

«No caso de Angola, questões como o acesso à água potável e saneamento, supostamente não são competências do Ministério da Saúde, são eventualmente tão importante para o bem-estar da saúde dos angolanos como ter medicamentos nos hospitais», explicou o sacerdote formado em Gestão e Administração, que acrescenta a esta “questão-chave” a energia.

Para os próximos anos e, com a tomada de posse do novo Governo, o Economista Filomeno Vieira Lopes, augura o aumento da produção interna e o desenvolvimento de um mercado interno, o que poderá resultar num desenvolvimento sustentável que ultrapassa os limites do sector económico.

«Quando falamos no desenvolvimento sustentável estamos a falar numa articulação de instâncias desde a política, espacial, ecológica, económica... Portanto, o desenvolvimento sustentável não tem só a ver com a economia. É por isso é que a economia não pode desenvolver se não existir combate a corrupção, combate ao desperdício», disse

Uma administração com seriedade, transparência e rigor deverá ser um dos desafios para o novo governo, de modos que o sistema repousa em “caboucos” da corrupção”.

O antigo funcionário sénior da Sonangol pensa que a partidarização da sociedade, das instituições e da política é outro dos grandes desafios de Angola.

«É necessário que haja coragem política para que esta partidarização não se efectue», disse

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