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Recém-libertados acusados de assassinar duas pessoas em Benguela


Barbearia onde dois jovens foram assassinados em Benguela

A polícia angolana apresentou à justiça nesta segunda-feira, 11, sete presumíveis autores do assassinato de dois jovens barbeiros e com deficiência auditiva, na sexta-feira, 9, na província de Benguela.

Setores da população pedem mais responsabilidade ao Estado, numa altura em que a Polícia apela à calma face aos sinais de intranquilidade decorrentes da soltura de indivíduos tidos como ‘’altamente perigosos’’.

Um conhecido jurista considera que a presença de adolescentes libertados da cadeia no quadro do combate à Covid-19 entre os suspeitos do duplo homicídio reflete falhas no trabalho de ressocialização em curso nas prisões em Angola.

No bairro da Massangarala, arredores da cidade de Benguela, o jovem Kidy, colega das vítimas, contou à VOA que escapou ao assalto por ter conseguido fugir de um grupo com mais de dez elementos, que levaram algum dinheiro e pão.

‘’Eles eram ‘bwé’, muitos mesmo, com facas. Consegui fugir e assisti a tudo. Não deu para fazer nada’’, conta a testemunha.

Confrontado com relatos captados no local, o jurista Chipilica Eduardo considera que a luta contra o novo coronavírus ajuda a perceber uma velha lacuna nas cadeias, que oferecem formação e colocam reclusos em pequenas atividades produtivas.

‘’Infelizmente o nosso sistema não está a cumprir com o seu papel, falamos de pessoas condenadas que não saíram da cadeia diferentes. Eles voltam a cometer, deviam ter sido acompanhados, agora põem em causa a paz social’’, defende o jurista.

Na apresentação dos supostos autores dos assassinatos de Domingos Ramos e Luís Dumbo, 32 e 30 anos de idade respetivamente, o porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Vitorino Cotingo, pediu calma aos munícipes.

‘’Esses sete já confessaram, mas se existirem outros poderemos arrolá-los no processo, até porque as investigações prosseguem. Não há necessidade de alaridos, a situação está controlada’’, sublinha o oficial.

A VOA noticiou, na sequência de um trabalho junto de jornalistas que tratam de matérias sobre crime, a soltura de cidadãos tidos como ‘’altamente perigosos’’, mas a Procuradoria Geral da República (PGR) contrariou o teor das suas declarações, desafiando os profissionais a apontar casos.

Até antes do início do processo de libertação de presos para evitar a propagação da Covid-19, o sistema penitenciário de Angola tinha 25 mil reclusos, mais cinco mil do que a sua capacidade.

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