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CPI investiga gestão da companhia aérea pública de Cabo Verde desde a independência

  • Redacção VOA

Compania de bandeira em fase de privatização

PM pode vir a ser ouvido, enquanto antigo ministro, bem como dezenas de governantes e gestores

A Assembleia Nacional de Cabo Verde criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai passar a pente fino a gestão da companhia aérea de bandeira, a TACV, desde a independência do país, em 1975 até 2016.

A investigação acontece no momento em que o Governo deu início à privatização da companhia que tem vivido nos últimos meses um dos seus piores momentos.

Entre os inquiridos poderá estar o actual primeiro-ministro, enquanto ministro das Finanças na década de 1990, bem como outros governantes.

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A CPI proposta pelo MpD, partido no poder, na contramão de uma iniciativa do PAICV, na oposição, começa os trabalhos no dia 16 de Novembro e tem seis meses para apresentar o seu relatório.

Emanuel Barbosa, presidente da CPI, revela que já foram elencados 30 nomes, “mas muitos outros deverão ser ouvidos num processo que vai cobrir um período de 41 anos”.

“Serão gestores, membros do Governo, representantes de classes de pilotos, entre outros”, esclareceu Barbosa.

O actual primeiro ministro Ulisses Correia e Silva pode vir a ser chamado a depor em virtude de ter sido ministro das Finanças na segunda metade da década de 1990, tendo sob sua responsabilidade a tutela financeira da companhia aérea.

Questionado sobre esta eventualidade, Emanuel Barbosa disse que “tudo depende da decisão da comissão” que, refira-se, é maioritariamente composta por deputados do partido no poder.

Em Junho, o MPD, partido que suporta o Governo chumbou a proposta de criação de uma CPI apresentada pela oposição, por considerar que se sobrepunha a outra apresentada pelo próprio partido no poder.

No final do debate, acabou por prevalecer a posição do MpD, que agora vai investigar a gestão da companhia aérea desde 1975.

Observadores políticos consideram que a CPI será mais um espaço de debate político entre os dois principais partidos que governaram Cabo Verde desde a independência e que não terá qualquer consequência jurídica.

Neste momento, a TACV enfrenta uma grave crise e o Governo deu início ao seu processo de privatização que ainda não é muito claro.

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