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Comissão Nacional dos Direitos Humanos pode pedir exumação de corpos enterrados em vala comum em Inhambane

  • Alfredo Júnior

Inhambane

Ministério da Saúde diz que enterro foi acordado com familiares, ONU critica

O enterro numa vala comum de 10 corpos das vítimas de um acidente de viação ocorrido no passado dia 3 em Inhambane está a dividir opiniões em Moçambique.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos diz não ter certeza de que foram esgotadas todas as possibilidades de identificação das vítimas e pondera investigar o caso.

Por seu lado, o Ministério da Saúde afirma que os médicos legistas tiveram tudo ao seu alcance para a identificação dos corpos e que a decisão pelo enterro numa vala comum foi tomada em coordenação com os familiares das vítimas.

A Organização das Nações Unidas condena o enterro em vala comum, sem que se tenham esgotado todas as possibilidades de identificar os corpos.

"Há documentos que provam que, de facto, houve uma coordenação e um alinhamento com os familiares e devo também ressalvar que houve algo de positivo: fala-se da vala comum, as pessoas podem compreender que aqui pegaram os corpos todos e colocaram uns em cima do outro, na realidade o coval é grande e cada corpo foi colocado de forma separada e a única forma de identificação foi feita através do sexo”, explica Hussene Isse, director nacional de Assistência Médica.

Exumação

Porém, outras correntes de opinião consideram que as autoridades moçambicanas não exploraram a fundo todas possibilidades para identificar as vítimas, aproveitando-se do desconhecimento e pobreza das famílias.

"É um caso que levantou vários questionamentos no contexto dos direitos humanos e nós acreditamos que ainda há um trabalho muito grande que deveria ter sido feito porque todo ser humano merece em vida o tratamento condigno e na morte a devida dignidade", considera Custodio Duma, presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), que fala em negligência.

Duma afirma que a sua instituição vai avaliar a possibilidade de exumação, identificação e entrega dos corpos aos seus familiares, prometendo investigar o caso.

"A vala comum é uma possibilidade, mas é duma possibilidade quando não for possível outra possibilidade, quando não for possível aquilo que deve ser considerado normal, que é o corpo seja entregue aos seus familiares”, defende Duma, lembrando que, tendo em conta o avanço tecnológico e as possibilidades queexistem a Comissão dos Direitos Humanos ainda não tem a certeza se de facto de esgotaram todos mecanismos possíveis para identificar aqueles corpos.

Este caso surgiu após o acidente, ocorrido no dia 3 de Setembro, que vitimou 12 pessoas, das quais apenas duas foram reconhecidas devido ao incêndio registado depois do autocarro em que viajavam ter arrebentado os pneus.

Houve 48 feridos também.

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