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Cepticismo em volta das relações África-EUA na governação de Trump

  • Amâncio Miguel

Cimeira África-Estados Unidos (foto de arquivo)

Falta um dia para a tomada de posse de Donald Trump. A sua política africana é ainda uma incógnita.

Donald Trump será empossado Presidente dos Estados Unidos, nesta sexta-feira, dia 20. Analistas em questões africanas revelam cepticismo quanto à continuidade de alguns programas americanos de apoio ao continente.

Obama, a quem Trump, substitui, é nalguns círculos africanos elogiado por ter dinamizado a perspectiva de cooperação com África, além do modelo de ajuda. Exemplo disso é o ciclo de cimeiras de negócios África-EUA ou a iniciativa de promoção de empreendedores jovens africanos, a Mandela Washington Fellowship.

“Obama tem um valor simbólico. Além de acções concretas, despertou nos africanos a ideia de que sempre podemos fazer mais e melhor.

​Nas relações com o continente, no geral, “Obama tem um valor simbólico. Além de acções concretas, despertou nos africanos a ideia de que sempre podemos fazer mais e melhor. Teve atitudes que estimularam a prática da justiça e democracia”, diz Corsino Tolentino, diplomata, investigador e ex-ministro cabo-verdiano.

No programa de rádio “Agenda Africana”, Tolentino e o moçambicano Calton Cadeado, docente e investigador do Instituto de Relações Internacionais, em Maputo, reflectem em torno das relações África-EUA na governação de Trump.

Tolentino diz que Trump “é um homem estranho, é um homem surpreendente, que até pode-nos surpreender pela positiva” e dar continuidade aos programas de cooperação iniciados por outros presidentes, “mas é preciso esperar para ver”.

Corsino Tolentino: Trump “é um homem estranho, é um homem surpreendente, que até pode-nos surpreender pela positiva”
Corsino Tolentino: Trump “é um homem estranho, é um homem surpreendente, que até pode-nos surpreender pela positiva”

Nos programas de cooperação, diz Tolentino, “há muitos empregos” em causa, e havendo a necessidade de reformas terá de ser tomado em conta que os mesmos são criticados por terem muito “desperdício e corrupção, de um lado e doutro" que é preciso travar.

Perante comentários cépticos, Cadeado afirma que “são discursos de circunstância e com África ausente”.

O especialista que sublinha que o seu “olhar é de incerteza e luz”, recorda que as relações internacionais são dinâmicas e assim sendo todo o cenário que se vaticina agora pode mudar.

Trump escolheu para o cargo de Secretário de Estado, a chefia da diplomacia americana, Rex Tillerson, ex-executivo da empresa de petróleos Exxon Mobil. A nomeação é criticada por Tillerson não ter um histórico na área, mas Trump argumenta que a experiencia nos negócios com vários países é relevante para o cargo.

“A componente de negócios poderá falar mais alto que os direitos humanos”.

Para Cadeado, Tillerson poderá enveredar por uma “uma política externa marcadamente económica”, em particular “nos pontos onde haja recursos, como os energéticos; ” e não menos importante, cabe aos “diplomatas africanos e aos estados individualmente o desafio de “mostrar o valor estratégico de África” a Trump.

E se Tillerson seguir essa direcção, “a componente de negócios poderá falar mais alto que os direitos humanos”.

Calton Cadeado: Cabe aos “diplomatas africanos e aos estados individualmente o desafio de “mostrar o valor estratégico de África” a Trump.
Calton Cadeado: Cabe aos “diplomatas africanos e aos estados individualmente o desafio de “mostrar o valor estratégico de África” a Trump.

Obama investiu nas cimeiras de negócios EUA-Africa. “Se Trump abandonar, os outros competidores não irão abandonar (…) e vão ganhar espaço”, adverte Cadeado.

Acompanhe o programa:

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