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Camponeses querem travar o ProSavana

  • Alfredo Júnior

Moçambique (foto de arquivo).

Receia-se que o ProSavana implemente o modelo de monoculturas e latifúndios voltados para o mercado externo, tal como ocorreu no Brasil.

O Programa de Desenvolvimento Agrário dos governos de Moçambique, Brasil e Japão (ProSavana) está a tirar o sono a milhares de camponeses de 19 distritos do Corredor de Nacala. Eles querem impedir a sua implementação por julgarem que viola os seus direitos.

A região corresponde a cerca de 11 milhões de hectares, uma área maior que o território do vizinho Malawi. Os camponeses temem a usurpação de terras por parte desta iniciativa agrícola, na área de cerca de 4,5 milhões de pessoas.

"Nós temos possibilidades, somos capazes de produzir e alimentar o nosso país" diz Costa Estêvão, camponês de Nacala, que dá o exemplo de a iniciativa não estar em plena implementação, “muitos camponeses no Corredor de Nacala estão a perder as suas terras, e esse é um dos factores que nos leva a dizer não ao ProSavana".

Esta posição é subscrita por várias organizações da sociedade civil e de camponeses.

Vanessa Cabanelas, coordenadora para a terra, ecossistemas e meios de subsistência da “Justiça Ambiental”, uma organização moçambicana, afirma que o ProSavana vai resultar na usurpação de terra dos camponeses e na fome, pois vai assentar no agro-negócio e será um sistema de monoculturas em largas extensões de terra.

Para tal, a organização protesta desde 2012 a implementação do ProSavana, pede mais informação e quer discutir os modelos de desenvolvimento agrícola em Moçambique.

"Continuamos a afirmar o não ao ProSavana, porque não responde às demandas da classe camponesa e trará, na nossa opinião, mais problemas do que propriamente benefícios, embora se diga que o beneficiário e o público-alvo é o camponês (…) o camponês não foi consultado na elaboração deste programa," diz Cabanelas.

Receia-se que o ProSavana implemente o modelo de monoculturas e latifúndios voltados para o mercado externo, tal como ocorreu no Brasil.

Mas António Limbau, coordenador da parte Moçambicana, insiste que a iniciativa tripartida vai preservar as culturas alimentares que estão a ser produzidas pelos camponeses e não haverá usurpação de terras.

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