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Cabo Verde: Instalações universitárias reabrem debate sobre descentralização

  • Eugénio Teixeira

Maniestação em São Vicente contra centralização

A anunciada construção do Campus da Universidade de Cabo Verde na Praia volta a trazer à baila a questão sobre a descentralização e desenvolvimento equilibrado das ilhas do arquipélago.

Corre um abaixo-assinado para a realização de uma manifestação no dia d 5 de Julho na ilha de São Vicente, em protesto pela centralização e, concretamente, a construção da infraestrutura para albergar novas estruturas da universidade pública na capital do país.

Para o professor universitário e analista politico, Silvino Évora, a reivindicação dessa natureza é normal, porquanto cada um deve batalhar pelo desenvolvimento da respectiva região.

No entanto, Évora considera que se deve ter em conta as condições económicas, demográficas e outras, para a construção de determinadas infraestruturas numa ou outra ilha.

“Defendo o desenvolvimento equilibrado das regiões do país, mas penso que não se deve descorar os aspectos que acima mencionei, porquanto não abundam recursos financeiros para se fazer tudo ao mesmo tempo nas várias ilhas habitadas”, destaca Silvino Évora.

Por outro lado, entende não ser salutar sempre fazer-se a disputa entre “Praia e Mindelo”, já que o arquipélago também possui outras ilhas, que igualmente lutam pelo respectivo desenvolvimento.

Apesar de qualquer manifestação e reivindicação que possa ocorrer, Silvino Évora não acredita que isso possa por em perigo a unidade nacional do arquipélago.

Por seu lado, João Mendes, natural de São Vicente e que reside há 32 anos na Praia, afirma que a questão do bairrismo vem desde a colonização, com mais incidência para as ilhas de Santiago e São Vicente.

Mendes reconhece que tem havido alguma concentração das coisas na Praia, mas considera que isso pode estar na origem dos fracos recursos que o país dispõe, dai as autoridades direccionarem mais investimentos e infra-estruturas na ilha que possui o maior número de habitantes, oriundos de vários pontos do país e de outros países sobretudo do continente africano.

Ainda assim, Mendes entende que, com algum esforço, pode-se criar mecanismos para haveruma maior descentralização e equilíbrio no processo de desenvolvimento de cada ilha.

“No caso concreto de São Vicente, penso que é justo a ilha do Porto Grande reclamar mais projectos importantes, mas entendo que os sanvicentinos devem também ser mais ousados e não ficar sempre a espera que os outros façam algo para eles”, desabafa João Mendes.

Ele diz esperar que os decisores políticos tenham em conta a necessidade do equilíbrio e desenvolvimento regional, mas ressalva que apesar de manifestações e outras ações reivindicativas, não estará em causa a “coesão e unidade nacional”.

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