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Cabo Verde: Autoridades militares prometem punir soldados que violentaram colegas de caserna


Cabo Verde, Forças Armadas

A circulação, nas redes sociais, de dois vídeos em que surgem alguns militares a violar os direitos de outros colegas de caserna está a provocar onda de indignação e mal estar na sociedade cabo-verdiana.

Cabo Verde: Autoridades militares prometem punir soldados que violentaram colegas de caserna
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Além de agressão com um objecto, as imagens mostram militares encenando actos sexuais contra a vontade de outros.

O Estado Maior das Forças Armadas já emitiu um comunicado lamentando o sucedido, reafirmando que foram actos praticados por soldados contra colegas de farda e armas, sem mando de qualquer graduado.

Mais disciplina

No comunicado lê-se que foram "atitudes inaceitáveis e condenáveis", que as Forças Armadas prometem medidas "disciplinares e criminais " de forma exemplar.

Estes actos "vergonhosos e condenáveis", como diz o chefe de Estado Maior, Major General, Anildo Morais, não vinculam as Forças Armadas, que prometem punições duras contra os infractores.

"Vamos tomar todas medidas necessárias para que os prevaricadores sejam punidos severamente e que actos do tipo não voltem a acontecer na nossa Instituição", frisa Morais.

O capitão Arsénio Andrade, chefe do gabinete do Estado Maior, disse que o primeiro video, no qual um soldado é agarrado e agredido com um objecto no ânus, chegou ao conhecimento das chefias superiores a 3 de Março, e medidas disciplinares já foram tomadas.

Os infractores aguardam pelo desfecho criminal por parte do tribunal militar, disse Andrade.

O segundo video, que mostra alguns jovens militares encostados à parede e obrigados por colegas a fazerem cenas contra a vontade, chegou ao conhecimento do Estado Maior, na terça-feira, 18 deste mês.

O antigo Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Brigadeiro Antero Matos, entende que a instituição militar deve reforçar mecanismos para evitar que situações do género se repitam.

Uma das medidas, diz Matos, passa pelo reforço de acções de formação e orientação dos efectivos das forças armadas, prática que era muito forte na primeira república.

Responsabilização

“Não é regressar ao passado dos órgãos políticos, masnós temos que reforçar grandemente a capacidade de trabalho das estruturas encarregues da educação patriótica e cívica dos militares", diz Matos.

O brigadeiro Fernando Carvalho Pereira, também ex-chefe do Estado Maior, considera que os actos praticados demonstram sinais de certo relaxamento na preparação da tropa e fiscalização nos quartéis.

A primeira dama, Lígia Fonseca entende que para além das medidas tomadas no seio das Forças Armadas, o estado deve ser chamado à responsabilidade, tendo em conta que são actos graves praticados dentro de uma importante Instituição pública.

"Os soldados estavam entregues à uma instituição do Estado, que também tem de assumir as suas responsabilidades'', disse a antiga bastonária da Ordem dos Advogados.

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