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Cabo Delgado: MSF encerra centros de saúde e descreve caos humanitário devido a ataques


Maria Rachide sobrevivente de um ataque em Pemba, Cabo Delgado

A organização não governamental humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou estar a repensar a sua estratégia para ajudar milhares de pessoas em fuga na província moçambicana de Cabo Delgado, depois de mais um ataque a uma das suas estruturas que a levou a fechar o Centro de Saúde em Macomia.

MSF encerra centros de saúde, diz a diretora Caroline Gaudron Rose
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Depois de ter fechado o Centro de Saúde em Mocímboa da Praia em março devido a ataques do grupo anteriormente identificado por al-Shabab e que agora proclama pertencer ao Estado Islâmico.

O ataque no passado dia 28 de maio em Macomia obrigou a MSF a suspender a prestação de serviços na cidade, com a destruição do Centro de Saúde.

“MSF tinha 27 funcionários no Centro de Saúde de Macomia, eles esconderam-se no mato por quase dois dias apavorados, mas felizmente, ninguém ficou ferido e todos estão bem", afirma a chefe da Missão dos MSF, Caroline Gaudron Rose.

Centro de Saúde de Macomia, Cabo Delgado, Moçambique, Foto:MSF
Centro de Saúde de Macomia, Cabo Delgado, Moçambique, Foto:MSF

Em nota divulgada nesta sexta-feira, 5, a MSF acrescenta que quando o grupo de atacantes entrou em Macomia, a população fugiu para o mato e para aldeias vizinhas, enquanto casas, lojas, escolas, edifícios religiosos e governamentais eram incendiados.

Guerra em Cabo Delgado agrava pobreza
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“A nossa capacidade de atender os necessitados fica comprometida com este aumento da violência e com a destruição do Centro de Saúde", lamenta Gaudron Rose, alertando que “ainda existem milhares de pessoas deslocadas escondidas no mato, com medo de voltar para suas aldeias por estarem aterrorizadas com a violência em curso".

Frente a este quadro, a organização médica humanitária alerta que “a situação pode ser extremamente terrível para aqueles que foram forçados a fugir de Macomia e de outras aldeias, sem casa, água limpa e acesso a cuidados médicos, o que os tornam extremamente vulneráveis”.

​Os ataques a aldeias na província de Cabo Delgado começaram em outubro de 2017 por grupos que reclamavam a criação de um califado na região e provocaram mais de mil mortos e milhares de deslocados.

A MSF relata uma aumento da intensidade dos ataques a partir de março.

Desde então, recorde-se as Forças de Defesa e Segurança anunciaram uma forte ofensiva contra os insurgentes, tendo o Governo anunciado nas últimas semanas importantes vitórias, como a morte de vários comandantes do grupo.

A MSF, que está em Moçambique desde 1984, lembra que “a assistência humanitária é crucial para a população deslocada que já sofre de surtos de malária e cólera e tem pouco acesso aos cuidados de HIV e TB”.

A organização também está a apoiar o Governo moçambicano no combate à Covid-19.

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