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Butão, um caso de sucesso na luta contra a Covid-19 


Thimpu, Butão

Especialistas dizem que a mobilização da comunidade e a liderança desempenharam um papel fundamental

O reino montanhoso do Butão regista uma rara história de sucesso, no sul da Ásia devastado pela pandemia COVID-19, reportando apenas duas mortes, cerca de 2.500 casos e vacinando 90% da sua população adulta numa das campanhas mais rápidas do mundo.

Especialistas dizem que a mobilização da comunidade, o planeamento meticuloso por parte das autoridades e as doações internacionais de vacinas abriram caminho para que o pequeno país com recursos limitados controle a pandemia e saia à frente da maioria das nações.

Quando o coronavírus começou a devastar países no ano passado, o Butão ofereceu incentivos financeiros às pessoas para aumentar seu pequeno grupo de profissionais de saúde e, simultaneamente, convocou voluntários.

Milhares deram um passo à frente.

“Num período muito curto de tempo, o sistema de voluntariado saturou, porque havia muita gente interessada. E foi uma experiência incrível ver que, em vez dos incentivos, as pessoas registavam-se como voluntárias, querendo dar algo em troca à comunidade," disse à VOA Dechen Wangmo, ministro da Saúde do país.

Esforço redobrado

O país agora tem cerca de 30 mil cidadãos voluntários. Vestidos de laranja brilhante e conhecidos como “desuups”, eles aumentaram os esforços de cerca de 350 médicos e três mil profissionais de saúde. Eles ajudaram a reforçar as mensagens de saúde pública, como o incentivo ao uso de máscaras, e ajudaram nos testes, vigilância e rastreamento de contactos entre os cerca de 750 mil habitantes do Butão.

O primeiro meio milhão de doses da vacina AstraZeneca, doação da Índia, serviu, em Março, para uma campanha de 16 dias, que foi programada para coincidir com datas sugeridas por monges budistas.

Escolher o momento certo para iniciar a vacinação ajudou a aumentar a confiança, neste país budista, às vezes chamado último Shangri-la do mundo.

Vacinação em Thimpu, Butão, Julho 2021
Vacinação em Thimpu, Butão, Julho 2021

Quando Nova Deli suspendeu as exportações devido à escassez doméstica, o Butão voltou-se para outro lugar. Chegou, em Julho, um lote de vacinas Moderna do programa COVAX, uma iniciativa de vacinação para países subdesenvolvidos. Vários outros países também doaram vacinas.

Confiança no rei

Embora algumas questões tenham sido levantadas nas redes sociais sobre a inoculação de pessoas com duas vacinas diferentes, essas questões foram rapidamente colocadas de lado no país conhecido pela confiança no seu monarca constitucional de 41 anos, formado em Oxford, o rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuk .

Embora ele tenha transformado o país de uma monarquia absoluta em monarquia constitucional democrática, ainda é extremamente popular.

A formação médica da liderança do país ajudou - o primeiro-ministro do Butão e o ministro dos Negócios Estrangeiros são médicos e o ministro da saúde, Wangmo, é um epidemiologista formado pela Yale.

Ao contrário de muitos países, a hesitação da vacina não representou um problema - embora o Butão tenha poucos médicos, tem um forte Sistema de cuidados primários de saúde.

“Há muita confiança e segurança no sistema de saúde e as pessoas entendem os benefícios da vacina, que as vacinas previnem doenças e já viram isso por gerações”, disse Wangmo.

Farol de esperança

As segundas doses foram administradas a 90% da população adulta, numa campanha de uma semana, que começou a 20 de julho, disse o ministério da Saúde.

Funcionários do UNICEF consideraram esta a campanha de vacinação mais rápida durante a pandemia. Embora a pequena população do Butão facilite a tarefa, a campanha enfrenta o desafio de alcançar áreas montanhosas distantes, muitas vezes em terrenos difíceis.

“Se o Butão pode ter sucesso, com tão poucos profissionais de saúde, na vacinação de quase toda a população e depois passar para as crianças, talvez possa ser um farol de esperança numa região que está em chamas”, disse Will Parks, representante do UNICEF.

As inoculações não são a única conquista. Ao contrário de muitos países, o Butão abriu escolas no início deste ano.

Park, UNICEF, e a imprensa, atribuem à liderança a habilidade de enfrentar a pandemia.

O rei Wangchuck viajou para vilarejos remotos para alertar as pessoas sobre a pandemia - de carro, a pé ou a cavalo. Quando a variante delta atravessou a Índia no início deste ano, ele visitou áreas no leste, com uma fronteira porosa.

As autoridades do Butão dizem que essas visitas reforçaram a mensagem de solidariedade e foram mais eficazes do que as directrizes de saúde pública.

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