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Benguela: novo concurso para empresas de lixo apesar de dívidas milionárias

  • João Marcos

Lixo em Benguela

Empresas que estavam no negócio tiveram de despedir muitas pessoas por falta de pagamento.

Ainda sem dinheiro para empresas já no activo, o Governo provincial de Benguela, em Angola, realiza um concurso público para novas operadoras no negócio da recolha de lixo.

Trata-se de um procedimento imposto pela aprovação do orçamento, mas não isento de críticas face a uma dívida responsável pela destruição de milhares de postos de trabalho.

Há três meses, numa altura em que os focos de lixo nas principais cidades tomavam proporções alarmantes, Isaac dos Anjos era um governador bastante preocupado.

“Isto (acúmulos de lixo) vai resultar em endemias. Depois, surgem as lamentações devido ao estado lastimoso em que se vão transformar as nossas urbanizações’’, alertou o governante.

Afinal, as empresas não recebem desde Junho de 2014.

Com a dívida em 140 mil milhões de kwanzas, cerca de 140 milhões de dólares norte-americanos até à chegada da crise cambial (quase dois orçamentos da província), o Governo avança para mais um concurso público.

“Temos, naturalmente, que considerar as empresas que estiverem em concurso público. São elas que vão conduzir este processo de recolha’’, esclareceu.

O director do Gabinete de Estudos e Plano do Governo, Valódia Sardinha, explica que este concurso é um procedimento administrativo normal, lançado em obediência à aprovação do orçamento para 2017.

Mesmo assim, o secretário provincial da CASA-CE, Francisco Viena, olha para trás e diz que falta seriedade às autoridades governativas.

“Como é que as autoridades lançam este concurso havendo uma dívida enorme?’’, questiona Viena, que pretende saber “como ficarão os empresários que tem dinheiro a receber?’’

Quem sabe o que é receber de forma irregular, como é o caso da Vista, uma das poucas empresas sobreviventes, aconselha os novos inquilinos do negócio do lixo.

O director-geral, Filipe Rebelo, admite estar a fazer ginástica para continuar no mercado.

“Fazemos muita ginástica (risos), mas muita ginástica mesmo. Ainda assim, e como queremos ficar neste mercado, apostámos em escritórios novos’’, realça Rebelo, para mais adiante sustentar que os atrasos levaram à dispensa de muitos trabalhadores.

‘’Não foram despedidos, estão em casa à espera que a situação melhore’’, complementa.

Juntas, as empresas Vista, Ambiáfrica, Resurb e Rangol não terão 100 trabalhadores, segundo uma fonte sindical, que fala em mais de mil desempregados.

As propostas para o concurso público começam a ser apresentadas ainda esta semana.

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