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Benguela dá sinais do aumento da pobreza em Angola


Famílias sem meios para subsistência e infra-estruturas degradadas

Num país com 41 por cento da população abaixo da linha da pobreza monetária, a província angolana de Benguela, segunda na divisão do orçamento do Estado, surge entre as três com maior incidência nas áreas urbanas, numa altura em que activistas cívicos aumentam o tom da crítica à governação.

O último relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), que mostra quase 12 milhões de cidadãos sem dinheiro para alimentos, coincide com sinais de degradação nas principais cidades da província, assoladas por chuvas nos últimos dias, e com regressão no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Homens e mulheres na venda de areia, pedra e brita para a autoconstrução dirigida fornecem elementos que ajudam a perceber a chamada pobreza monetária.

“Aqui praticamente não há lucros, quando não se vende ficamos sem comer. Já queremos desistir’’, sublinham mulheres, enquanto um ex-militar, também na venda de inertes, afirma que ‘’fazemos isso porque o Governo não paga o que sofremos e a fome aperta’’.

Quanto ao outro tipo de pobreza analisada no relatório, a multidimensional, os sinais estão no saneamento, com valas de drenagem repletas de lixo, poeira e estradas esburacadas.

Perante este quadro, a activista e professora Sara Paulo é defensora de mudanças.

‘’O problema não é apenas do governador Rui Falcão, até porque as queixas são dos dez municípios, a governação vai mal’’, sublinha a jovem

O consultor social João Misselo da Silva sugere que a sociedade civil exija mais dos governantes

‘’Estamos a falar da faixa litoral, onde o nível de vida também se agrava, do interior, onde as coisas são piores ainda. Vamos, no quadro da nossa advocacia social, fazer monitoria para mais políticas públicas’’, promete Misselo.

O INE tomou em consideração, entre vários factores, o acesso à água, recentemente abordado pelo governador provincial, Rui Falcão, numa perspectiva contrária à iniciativa presidencial ‘’Água para Todos’’

‘’Nós não defendemos chafarizes, a nossa promessa foi levar a água aos cidadãos, é isso que vamos fazer’’, reforça o governante.

A pobreza em Angola aumentou em 4 por cento, vinca o INE, que associa o fenómeno ao desemprego e à falta de infra-estruturas.

Angola desceu duas posições no IDH da Organização das Nações Unidas, passando da posição 147 para a 149, o que mantém o país entre os últimos dos considerados de “desenvolvimento médio”.

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