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Benguela: Altos custos de produção condicionam exportação

  • João Marcos

Produção de banana, Benguela

Especialista defende regularidade no envio da fruta para mercados internacionais

Os altos custos de produção constituem a principal causa do interregno de um ano na exportação da banana da província angolana de Benguela para Portugal, que deve retomar no decurso deste mês.

A fazenda envolvida no processo, com sede numa comuna do município do Lobito, prepara um lote de 25 toneladas, mais oito em relação à cifra enviada na fase inaugural, em Maio de 2016.

À primeira vista, o aumento da quantidade a exportar podia tranquilizar a fazenda Bacilin (comuna do Culango), que tenciona chegar a 100 toneladas de banana por mês, mas este não é o cenário.

O proprietário Eduardo Rodrigues lamenta a paralisação e diz que gostava de ter a companhia de outros empresários, até para ‘’pressionar’’ as companhias marítimas que transportam o produto.

A sua fazenda, a par do Bengo, província líder em Angola, pretende ajudar a resgatar a tradição de há 40 anos, altura em que Benguela chegou a exportar lotes de 1.600 toneladas.

Outros produtores, para vincar a tese dos altos custos de produção, dizem que o preço dos fertilizantes está a triplicar.

Trata-se de uma realidade para a qual vem chamando à atenção o economista Carlos Rosado de Carvalho, defensor de melhorias no ambiente de negócios.

‘’Quem compra no estrangeiro, só nos compra se garantirmos uma certa regularidade. Na agricultura, por exemplo, não há produção sem fertilizantes, mas às vezes não tempos. Desta forma, não conseguimos obter a manga ou a banana. Outro aspecto tem que ver com a qualidade e a calibragem, já que eles quererão frutas mais ou menos do mesmo tamanho’’, aponta Carvalho.

Já o empresário Victorino Marques, que também fala dos custos de produção, embora admita que vale a pena exportar, não sabe quando enviará o segundo lote de manga.

À espera da época para a produção da fruta, colocou em Portugal, em Janeiro deste ano, 35,7 toneladas, apesar de confrontado com problemas de transportação.

Em conversa com a VOA, o presidente da Associação Industrial Angolana (AIA), José Severino, considera que as pequenas iniciativas merecem apreço, mas adverte que não é por aí que se resolve a crise cambial.

‘’(As pequenas iniciativas) indiciam esta possibilidade, mas não podemos especular. Não vamos resolver de um momento para o outro o problema cambial com estas iniciativas. O que precisamos é de substituir as importações, para que haja um balanço cambial mais equilibrado, capaz de proporcionar o apoio à produção nacional, com meios e insumos’’, avisa Severino.

O Governo angolano, por intermédio de vários departamentos ministeriais, insiste nas exportações como medida para ajudar a resolver o problema da escassez de divisas.

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