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Baixos salários e más condições forçam deserções nas Forças Armadas Angolanas

  • João Marcos

Unidade da Marinha de Guerra em Benguela

Unidade da Marinha de Guerra em Benguela perde efectivos

Dezenas de soldados abandonaram a antiga Escola Prática de Administração Militar de Benguela (EPAM), agora adstrita à Marinha de Guerra, num protesto contra a falta de condições e os baixos salários, soube a VOA de fontes militares.

Após o lançamento de um projecto para a reabilitação da unidade, o Estado-maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA) investiga agora um suposto desvio de 12 milhões de kwanzas (cerca de 72 mil dólares), a primeira tranche do valor global para as obras.

O número de efectivos na referida unidade militar reduziu de 100 para 40.

Trata-se, segundo as mesmas fontes, de uma situação que preocupa o Chefe do Estado-maior General das FAA, general Sachipengo Nunda, que continua a efectuar visitas à antiga escola, eleita para aliviar a pressão sobre a unidade da Marinha de Guerra em Luanda.

Na capital do país, onde também não existem condições de habitabilidade, foram registados nove casos de tuberculose, tendo um agente acabado por morrer.

Em Benguela, sabe a VOA, as deserções de militares oriundos de outros pontos do país são associadas sobretudo aos baixos salários, na casa dos 23 e 30 mil kwanzas, abaixo de 150 dólares norte-americanos.

Os vencimentos dos soldados ao serviço das FAA estiveram, de resto, em foco na ‘’caça ao voto’’ para as eleições de 23 de Agosto, com a UNITA, por intermédio do deputado Victorino Nhany, a estabelecer comparações.

“O soldado das FAA, que defende o Estado, ganha 20 mil kwanzas, tenho provas. Mas o mesmo soldado que defende uma única pessoa, o Presidente José Eduardo dos Santos, ganha 200 mil. Isso significa que o povo pode morrer, mas eu, todo-poderoso, não posso, por isso os meus soldados devem ganhar bem’’, sustenta o parlamentar, que fala em reflexo da ‘’má gestão’’.

Apesar dos esforços, a VOA, que não conseguiu ter acesso ao interior da unidade (ver foto),não obteve respostas do comandante, o Capitão de Mar e Guerra Eduardo Martinho.

A acontecer, alertaram efectivos, só após a prevenção imposta pelo período eleitoral, depois de 5 de Setembro.

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