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Avião "misterioso" deixa Bissau após sete meses retido no aeroporto


Avião na pista do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, Guiné-Bissau

Aparelho foi detido a 29 de Outubro e apesar das muitas investigações abertas, nenhuma foi conclusiva

As autoridades da Guiné-Bissau autorizaram a empresa proprietária do avião A330 retido no aeroporto de Bissau desde 29 de Outubro, proveniente da Gâmbia, a deixar o país.

A informação foi confirmada à VOA nesta quinta-feira, 19, por uma fonte da aviação civil que pediu o anonimato, acrescentando que o aparelho ainda encontra-se no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira a aguardar o fim do processo administrativo.

A Autoridade de Aviação Civil da Guiné-Bissau justificou a decisão com o arquivamento do caso pelo Ministério Público.

O caso conhecido como "avião misterioso" e que provocou muito debate em Bissau foi despoletado depois de o aparelho ter sido retido, sem que as autoridades revelassem a tripulação, objectivo da viagem a Bissau e a que companhia pertencia.

O primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, na altura num braço-de-ferro com o Presidente da República, mandou arrestar o avião e ordenou uma investigação internacional.

“Essa entidade colocará a disposição do Governo da Guiné-Bissau tecnologia especializada e capacidades para conduzir uma investigação independente, isenta e exaustiva, e identificará as acções e intervenções a implementar para proteger, no imediato e futuramente, os interesses do país e do seu povo”, disse uma nota divulgada pelo Gabinete do Primeiro-Ministro no dia 15 de Novembro.

Inquéritos sem conclusão

Dois dias antes, o Presidente da República tinha afirmado saber do avião preso e que os proprietários do aparelho não são “bandidos”.

Umaro Sissoco Embaló afirmou que a empresa proprietária do avião foi recomendada pelo Presidente da Mauritânia, Mohamed Ould Ghazouani, para aceitar a empresa proprietária do aparelho na Guiné-Bissau, pois tem pretensões de instalar-se no país para a manutenção e reparação dos aviões.

“Ele me disse que é uma grande oportunidade para a Guiné-Bissau acolher uma empresa de manutenção de aviões, já que a Gâmbia vai as eleições no dia 4, enquanto que a Guiné Conacri está com problemas de estabilidade”, afirmou Embaló na ocasião.

A nível do Parlamento, a Comissão Especializada para área da Defesa e Segurança também investigou o avião e o seu presidente, José Carlos Macedo Monteiro, denunciou ter sido alvo de ameaças de morte depois de revelar que o director do Gabinete do Presidente da República foi apontado como tendo estado no aeroporto para saber informações do aparelho.

Em Fevereiro, o Ministério Público, que também fez uma investigação, arquivou o caso.

Desconhece-se no, entanto, o dono do avião, a tripulação, se tinha carga ou não e sua missão na Guiné-Bissau.

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