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Autoridades angolanas não dão detalhes das investigações a empresas chinesas


Prédios altos cidade Luanda, Angola

A Procuradoria Geral da República de Angola continua a não informar da razão que levou à apreensão de dezenas de edifícios e várias outras propriedades que terão sido construídos ou adquiridos com fundos públicos.

As apreensões foram levadas a cabo através do Serviço Nacional de Recuperação de Activos e envolvem propriedades das empresas China International Fund – CIF, Limited e China International Fund Angola – Cif, Limitada.

Um comunicado da Procuradoria disse que as apreensões se enquadram num “processo crime que tramita na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal, DNIAP”, mas não foram dados mais pormenores. O valor das propriedades também não foi revelado.

Desconhece-se também se as empresas tencionam disputar em tribunal a ordem da Procuradoria, mas o jurista Manuel Pinheiro manifestou dúvidas que isso venha a ocorrer.

Manuel Pinheiro acredita que estas empresas "não vão reclamar sobre estas apreensões por terem montado o sistema quando determinados indivíduos faziam parte da administração do Estado e se apoderaram dos bens do Estado".

“Eles podem recorrer para fazerem provas dos seus direitos, mas acredito que as empresas não terão muito a reclamar porque todos os mecanismos foram montados de forma sorrateira”.

Pinheiro classifica esta como a maior apreensão que o Estado já fez desde o início do combate à corrupção.

A VOA tentou contactar o porta-voz da PGR, o procurador Álvaro João mas não teve qualquer resposta.

China International Fund é propriedade quase que total da Dayuan International Development parte do chamado 88 Quensway Group, sendo 88 Queensway a morada onde estão sediadas as diversas empresas do grupo.

Lo Fong Hung, que foi presidente da CIF, é ou foi também directora da Sonangol Sinopec International, uma “joint venture” entre as companhias estatais Sinopec da China e Sonangol de Angola.

Em 2016 a UNITA tinha apresentado ao parlamento angolano um pedido de inquérito, baseado num memorando em que se revelava que a CIF tinha começado a gerir as linhas de crédito e os projectos de reconstrução sob alçada do General Hélder Vieira Dias “Kopelipa”.

Também em 2016, a China prendeu Sam Pa que era tido como o verdadeiro poder na CIF e na China Sonangol e que viajava com passaportes de diversos países, incluindo um angolano, com o nome de António Sampo Menezes.

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