Links de Acesso

O governo brasileiro vem divulgando no mundo que pretende acabar com a miséria extrema no país até 2014. Mas, o programa idealizado para este fim, o Brasil sem Miséria, enfrenta um grade desafio: localizar milhares de famílias que vivem com renda per capita abaixo de R$ 70,00.

O governo brasileiro vem divulgando no mundo que pretende acabar com a miséria extrema no país até 2014. Mas, o programa idealizado para este fim, o Brasil sem Miséria, enfrenta um grade desafio: localizar milhares de famílias que vivem com renda per capita abaixo de R$ 70,00.
Criado em 2011, o Brasil sem Miséria já localizou quase 490 mil famílias nesta situação. No entanto, mais de 16 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010, vivem em nível de pobreza extrema.
De acordo com o secretário Nacional de Renda e Cidadania, Luis Henrique Paiva, apesar das dificuldades, o Brasil está empenhado na iniciativa. “A ideia é, de fato, superar a extrema pobreza, fazer com que a população brasileira possa olhar a si mesma, e ter a certeza de que a extrema pobreza faça parte do passado brasileiro e não do presente,” afirma o secretário. “É por isso que se está trabalhando. É por isso que o Governo Federal está fazendo parcerias com os governos estaduais, municipais, com empresas estatais. Enfim, é uma grande mobilização nacional para que a pobreza extrema faça parte do passado,” garante.

Uma das grandes armas do Brasil sem Miséria é o Bolsa Família, programa de transferência de renda, criado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa é uma das peças da estratégia do governo do Partido dos Trabalhadores, o Fome Zero. O valor do benefício recebido pela família pode variar de R$ 32 a R$ 306. O Bolsa Família atende hoje 50 milhões de pessoas no país. Este ano, o benefício deverá contar com aporte de R$ 17 bilhões.
Dalila Laurentino da Silva é uma das beneficiárias do programa. Ela cuida sozinha de dois filhos, Pedro, que é deficiente físico, e João Vitor. A moradora da periferia de Belo Horizonte (MG) vive com a família, de aluguel, em dois cômodos em construção.
Sem emprego fixo, a renda de Dalila vem somente de trabalhos esporádicos como faxineira. “Faço faxina quando aparece e quando eu posso, porque o Pedro tem que fazer tratamento, eu fico por conta dele. É uma coisa que nem sempre agente tem e nem sempre eu posso fazer.”
No caso da brasileira Dalila, a situação ainda é mais complicada pelo fato de um dos filhos ser deficiente e precisar de atenção constante. “Às vezes eu arrumo uma faxina e ligam falando que tem médico e aí eu tenho que largar a faxina para levar o Pedro no Médico. E, às vezes, não aparece nada e eu vou contando com a sorte.”
É o benefício do governo que a fez sair da pobreza extrema. Com a ajuda de R$130,00 do Bolsa Família Dalila consegue há três anos alimentar os filhos. “Uso o Bolsa Família para pagar passagens do Pedro. Ele tem deficiência e precisa fazer tratamento, aí eu uso para pagar passagem, para comprar verdura, gás. Não dá para o mês todo, chega a um determinado dia que aperta. Aí agente faz o que tem. Manda pedir emprestado na casa da tia, manda pedir emprestado na casa do irmão,” conta.
A vida da brasileira ainda é muito difícil, mas ela saiu da pobreza extrema e consegue comer. “Agora melhorou bastante porque eu sei que tenho esse dinheiro garantido que eu posso contar. Antigamente eu tomava conta de criança e deixava o tratamento para lá para trabalhar e sustentar os meus dois filhos. Agradeço a quem criou porque é uma ajuda legal, porque agente sabe que pode contar com isso,” finaliza.
Dalina garante que gostaria de não ter que precisar do benefício do governo brasileiro. “Eu queria não precisar mais. Mas eu não posso trabalhar por causa do problema do meu filho. Eu dei entrada e estou esperando o auxílio doença do governo porque vai ser mais um salário para ajudar.”
O Fome Zero no Brasil tem como objetivo assegurar o direito humano à alimentação adequada. A estratégia atua a partir de quatro eixos articuladores: acesso aos alimentos, fortalecimento da agricultura familiar, geração de renda e articulação, mobilização e controle social. Duas peças de grande destaque são: o Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). Nesse último caso, o Brasil compra produtos agrícolas a pequenos agricultores e distribui-os por crianças e jovens através dos programas de alimentação escolares e hospitalares.
Os dois programas têm sido copiados em outras partes do mundo. Recentemente, o Brasil anunciou que vai apoiar as Nações Unidas na implantação do PAA nos seguintes países: Moçambique, Etiópia, Malawi, Níger e Senegal.

XS
SM
MD
LG