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Arranjos políticos podem fragilizar o acordo de paz entre o governo e a Renamo, advertem analistas


Marcha pela paz em Maputo, Sábado 27 de Agosto. Foto gentilmente cedida por Eliana Silva. Moçambique

Analistas moçambicanos alertam que poderá ser alcançado um “acordo de paz frágil” em Agosto, entre o governo e a Renamo, em consequência dos vários arranjos políticos para a integração de guerrilheiros insatisfeitos com o rumo das negociações.

Arranjos políticos podem fragilizar o acordo de paz entre o governo e a Renamo, advertem analistas
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O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, disse, no sábado, 27, ter chegado a um acordo com o líder da Renamo, Ossufo Momade, para a reformulação da lista de guerrilheiros a integrar nas forças de defesa e segurança, no sentido de contemplar o grupo de militares que diz estar insatisfeito com o processo de desmobilização em curso.

Para Sansão Nhancale, analista politico, os arranjos políticos para um acordo de paz antes das eleições de Outubro, numa altura de desentendimento entre a liderança da Renamo e parte de seus militares, podem minar a desejada reconciliação verdadeira.

Nhancale diz que há o risco de haver células de guerrilheiros a manifestarem-se fora do contexto politico.

“Eu penso que este está a ser um processo muito apressado devido a agendas eleitorais, marginalizando a essência da reconciliação, ”diz o analista.

Por sua vez, o politólogo, Martinho Marcos, diz que as novas emendas na lista de integração dos guerrilheiros da Renamo mostram que as negociações estão longe de produzir um acordo eficaz de paz em Moçambique.

O novo arranjo entre Filipe Nyusi e Ossufo Momade, para a reformulação da lista de guerrilheiros foi alcançado durante uma conversa telefónica, aquando da visita presidencial a província de Sofala.

Guerrilheiros da Renamo contra Ossufo Momade
Guerrilheiros da Renamo contra Ossufo Momade

Três dias antes, a autoproclamada Junta Militar da Renamo, que contesta a liderança de Ossufo Momade, havia ameaçado agir caso o governo continuasse a negociar a paz com o presidente da Renamo.

Nessa ocasião, o major-general da Renamo, Mariano Nhungue, que se apresentou como líder da Junta Militar, disse que havia um plano de ataque das forças governamentais contra a base do grupo na serra da Gorongosa, supostamente para silenciar a sua contestação.

E Nyusi, num comício popular no distrito de Machanga, em Sofala, reiterou o compromisso de um acordo de paz definitiva até Agosto, classificando de normais as diferenças no seio da Renamo.

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