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Arcebispo da Beira apela à conclusão efectiva do acordo de paz em Moçambique


Claudio Dalla Zuanna, Arcebispo da Beira, Moçambique, 17 Abril 2022
Claudio Dalla Zuanna, Arcebispo da Beira, Moçambique, 17 Abril 2022

Claudio Dalla Zuanna diz que sem conclusão efectiva do processo, pode haver apneas uma trégua

O arcebispo da Beira, Claudio Dalla Zuanna, alertou para o risco da actual paz em Moçambique vir a se transformar em trégua à espera do próximo conflito, se a reconciliação, fruto do terceiro acordo de paz entre o Governo e a Renamo, continuar a não ser genuína e a gerar insatisfação.

Em declarações à imprensa, Dalla Zuanna afirmou que a paz deve ser uma “esperança reencontrada” por todos que estejam “apavorados e perturbados pela violência”, daí ter vincado a necessidade de esta precisar ser acarinhada, em alusão às reivindicações de insatisfação de milhares de guerrilheiros desmobilizados no âmbito do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR).

Para o arcebispo da Beira, a paz precisa seguir um roteiro de “perdão e mansidão”, mas também de “firmeza e coragem”, na solução dos diferendos, por isso “não podemos deixar que o mal e a violência, nos arrastem para a mesma linguagem, no uso da violência para resolver as nossas dificuldades”, apelou.

“Fora deste caminho da mansidão, do perdão, há só uma paz que pode ser imposta pelo mais forte, mas é uma paz que se transforma numa trégua à espera do próximo conflito”, referiu Cláudio Dalla Zuanna, insistindo para uma reconciliação genuína, entre o governo e a Renamo.

Supervisão dos acordos de paz

Entretanto, o analista político Wilker Dias observa que a posição do arcebispo remete a uma reflexão sobre o tipo de acompanhamento que se faz aos acordos de paz, devido ao historial de insatisfação que fez eclodir novos conflitos.

“Moçambique tem vivido acordo de paz momentâneos e em seguida registam-se novos conflitos porque não temos dado o devido acompanhamento”, precisa Wilker Dias.

Aquele analista sublinha que o país vai abrir espaços para um novo conflito se o Governo se limitar apenas ao processo de desmobilização dos ex-guerrilheiros da Renamo e não continuar com as obrigações de assistir-los após a sua reintegração social, até ganharem a auto-sustentabilidade definitiva.

Numa entrevista recente e exclusiva à VOA, o presidente da Renamo, Ossufo Momade, mostrou-se insatisfeito com o rumo do processo do DDR, previsto para encerrar este ano, ao acusar o Governo de não estar a honrar com o acordo de paz de 2019, que previa pensões para os desmobilizados, além de enquadramentos dos ex-guerrilheiros nas fileiras das Forças de Defesa e Segurança (FDS).

“Quando estamos em conflito, quando a pólvora está a chover é quando a comunidade internacional e grupos de contactos se preocupam, ‘vamos fazer isso, vamos fazer aquilo’, depois quando tudo está parado, todos ficam relaxados, isso não é bom”, queixou-se Ossufo Momade, em alusão as promessas não cumpridas pela comunidade internacional sobre o DDR.

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