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Angola Fala Só: Victor Hugo Mendes: "João Lourenço não vai fazer diferenca se cada um não fizer a sua parte"

  • Redacção VOA

Victor Hugo Mendes, jornalista de TV, autor e activista social

Público não quer mais a mesma imprensa pública e há que dar o benefício da dúvida a Isabel dos Santos

O que se está a passar em Angola já devia ter acontecido há 10 anos e todos estão a pagar por isso, disse o conhecido jornalista e cronista angolano Victor Hugo Mendes.

Ele falava no programa “Angola Só” nesta sexta-feira, 3, em que a nova Presidência angolana foi um dos temas mais discutidos num animado programa com ouvintes e internautas.

Mendes todos os angolanos estão agora “felizes” pelas mudanças que, segundo disse, estão a decorrer “na velocidade certa”.

“O que se recomenda é ousadia, um pouco de coragem e também um pouco de respeito e consideração pelo passado”, disse o jornalista angolano para quem a actual fase política angolana é “uma fase de aprendizagem colectiva”.

“Há processo de rejuvenescimento e é verdade que isso não vai agradar a todo o mundo”, disse, afirmando que antes das eleições havia em Angola “um ambiente pesado mas hoje está mais leve”

O activista avisou contudo que “João Lourenço não pode fazer milagres se cada um não fizer a sua parte”.

Abordando a questão dos órgãos de informação angolanos, Victor Hugo Mendes sublinhou dois problemas que afectam a sua credibilidade, nomeadamente a falta de profissionais e a auto-censura que descreveu como “um fenómeno entranhado no ADN” do jornalismo angolano.

Contudo rejeitou a ideia de falta de liberdade.

“Eu acho que temos liberdade de expressão”, disse numa declaração que recebeu muitas críticas dos internautas.

O cronista disse não haver dúvidas que a informação angolana “tem estado a mudar”.

Público não quer a mesma imprensa pública

“Os tempos estão a mudar porque os tempos são outros e eu tenho a certeza que a comunicação angolana jamais será a mesma”, continuou, destacando que “há vontade pública que as coisas sejam invertidas e há vontade também dos profissionais que as coisas sejam diferentes”.

“O público não quer mais a mesma TPA, a mesma RNA, o mesmo Jornal de Angola, não quer mais a mesma Angop”, sublinhou em referência aos órgãos de informação estatais.

Victor Hugo de Carvalho disse haver uma “lufada de ar fresco" e manifestou a sua admiração pelo conhecido jornalistas e activista Rafael Marques afirmando que gostaria que houve "muitos Rafael Marques" nos orgãos de informação angolanos

O jornalista fez notar a crescente influência das redes sociais que nas últimas eleições forçou políticos a tomarem certas posições.

“As redes sociais tiveram um papel fulcral em todo o processo, foram decisivas em alguns momento e serão mais influentes em 2022”, afirmou.

“Os políticos que não estão nas redes sociais estão hoje fora do contexto”, acrescentou.

Gosto de Isabel dos Santos

Interrogado sobre a figura de Isabel do Santos, o jornalista disse que quando uma pessoa “está num determinado lugar infelizmente nós, como seres humanos, fazemos muitos juízos de valor”.

“Eu gosto muito de Isabel dos Santos, como mulher por aquilo que vejo por aquilo que leio no seu histórico gosto muito dela”, disse, acrescentando contudo não poder dar uma opinião sobre o desempenho dela à frente da empresa por não ser especialista no campo do petróleo.

“É preciso dizer que Isabel dos Santos pegou na Sonangol num momento extremamente difícil”, lembrou e que muitas pessoas “vão ficar com o ónus dos vários problemas”.

“E ela fica mais ainda por ser filha do ex-Presidente”, concluiu rematando que "isso é incontornável”.

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