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Angola Fala Só - David Já: "Angolanos não discriminam muçulmanos"


David Já, jurista e secretário-geral da Comunidade Islâmica

Secretário-geral da Comunidade Islâmica apoia Operação Resgate mas diz que "perdemos alguns direitos" como a liberdade religiosa

30 Nov 2018 AFS - David Já: "Angolanos não discriminam contra os muçulmanos"
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As autoridades angolanas encerraram 14 das 69 mesquitas do país no âmbito da Operação Resgate, revelou o jurista David Já, Secretário-geral da Comunidade Islâmica de Angola.

Ao participar no programa “Angola Fala Só”, aquele responsável começou por dar o seu apoio à operação que disse ter como objectivo “repor a ilegalidade”

“Estávamos num estado quase de desordem e de anarquia total, em que o Estado quase que perdeu o seu direito de soberania e de autoridade, éramos um país quase sem lei”, disse.

Contudo na aplicação dessa operação “vimos também coartados alguns direitos fundamentais da Constituição como a liberdade do exercício da religião”, disse Já, afirmando que as mesquitas foram encerradas nas províncias “sem nenhuma explicação plausível”.

David Já sublinhou que, em Luanda, não houve qualquer encerramento de mesquitas pelo que o encerramento poderá dever-se a decisões “isoladas”.

O líder da Comunidade Islâmica afirmou que tinham sido entregues todos os documentos necessários para a legalização da Comissão Instaladora.

“Nós cumprimos com o pressuposto legal e estranhamente as mesquitas foram encerradas, portanto estamos apreensivos e com a suspeita de que Angola venha a encerrar e banir a prática do culto islâmico”, acrescentou.

Quando aos trâmites para o reconhecimento de uma religião, David Já, que é jurista, considerou de “absurda” a necessidade de se angariar 100.mil assinaturas para a sua legalização":

“Mas não se pode angariar 100 mil fiéis sem se ter templo”, sublinhou, lembrando que o Islão é uma das grandes religiões do mundo com milhares de milhões de aderentes pelo que não se entende como é Angola não o reconhece como religião.

“Seria como um país não reconhecer o Cristianismo ou o Catolicismo”, afirmou.

David Já revelou ainda que existem cerca de 800 mil muçulmanos em Angola mas que a maioria, cerca de 70 por cento, são estrangeiros.

O ouvinte João da Paixão, ele próprio muçulmano, revelou que em Malanje as autoridades encerraram uma mesquita e recordou que no passado as autoridades tinham destruído muitas, havendo agora receios que o mesmo possa acontecer.

“O que nós não entendemos é que em Luanda, onde está o poder central, não mexem em mesquitas, mas aqui na província isso é diferente”, denunciou.

Outro ouvinte Malanje indicou que na zona onde vive notou desde o início da Operação Resgate receio entre os membros comunidade islâmica que ali vivem.

Entretanto, David Já rejeitou a ideia que possa haver sentimentos anti-islâmicos de parte da população angolana.

“Não, não sinto isso”, disse aquele líder islâmico, quem admitiu que possa haver pessoas com “interesses maquiavélicos” que possam fazer uso da proposta de banir o Islão de Angola.

“Mas são comportamentos isolados”, acrescentou David Já para quem “os muçulmanos nunca sofreram qualquer discriminação.

Interrogado por um ouvinte sobre como é que o Governo vai lidar com a comunidade islâmica, David Já disse que “com o outro Governo faltava uma vontade política”.

“Não era um Governo dialogante, havia arrogância mas hoje o figurino é outro e estamos a ver que há uma sensibilidade”, disse, revelando terem sido estabelecidos vários contactos para o reconhecimento da religião islâmica.

“Isso depende da vontade política”, acrescentou, afirmando que vai aguardar "os bons momentos que poderão vir”.

Interrogado por outros ouvinte sobre a crescente "guerra de palavras" entre o Presidente João Lourenço e o seu antecessor José Eduardo dos Santos, o líder da comunidade Islâmica disse que “quando se toca na ferida há quem sempre reclame alguma dor”.

“Eu só posso dizer que o anterior Presidente foi mal aconselhado e deveria calar-se, devia manter-se no silêncio e não se pronunciar sobre essas matérias”, afirmou já, recordando depois as faltas nos hospitais e na educação e o “estado caótico” em que o Governo não tem recursos para responder às necessidades da população.

“Nós todos angolanos devíamos unir fileiras à volta do actual Presidente para que possamos ter prosperidade”, conclui o secrretário-geral da Comunidade Islâmica em Angola.

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