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Analistas recomendam profunda análise sobre futuro dos investimentos em Cabo Delgado


Companhia francesa Total retirou trabalhadores alegando "motivo de força maior" mas Governo garante que projecto vai continuar

O anúncio da companhia francesa Total nesta segunda-feira, 26, da retirada de todo o seu pessoal do norte da província de Cabo Delgado que trabalha no megaprojecto de gás natural, no valor de 20 mil milhões de dólares, devido à insegurança na região, suscitou várias reacções.

O Governo já reagiu dizendo que a empresa não abandonou o projecto, mas apenas suspendeu as actividades agora e assegura que tudo está a fazer para garantir a segurança em Cabo Delgado.

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Especialistas, no entanto, consideram que se a companhia abandonar o projecto de exploração de gás natural em Cabo Delgado, por causa dos ataques jihadistas, não será mau de todo porque o norte de Moçambique pelo menos será uma zona segura.

Para a economista Inocência Mapisse, uma paralisação completa das actividades da Total em Moçambique, terá, naturalmente, implicações, tanto positivas quanto negativas "porque se considerarmos que os ataques armados em Cabo Delgado se devem à exploração do gás natural, pode-se pensar que a paralisação deste projecto irá também acabar com a violência naquela província, e se isso for verdade, faz todo o sentido"~.

Como implicação negativa, aquela economista refere o facto de que o projecto da Total perspectivava vários ganhos para Moçambique, não apenas em termos de empregos, como também do ponto de vista de contribuição fiscal e de atracção do investimento directo estrangeiro" porque a paralisação deste empreendimento pode afectar a imagem do país.

Por seu lado, o académico Paulo Uache não coloca a hipótese de a Total abandonar o projecto de Gás Natural Liquefeito em Afungi, mas afirma que se isso acontecer "não será mau de todo porque o mau de todo é termos terroristas a desestabilizarem o país e a fazer com que a vida dos moçambicanos não seja segura, para além de que a companhia, ela própria, tem activos por recuperar do investimento já feito".

Entre insegurança e falta de resultados

Na opinião dele, a exploração do gás deve ocorrer enquanto o país tiver condições de segurança "para nós podermos ter proveito, porque se essa exploração for feita nos termos em que está neste momento, em que as populações têm que sair em debandada, não penso que estaremos a fazer uma abordagem de desenvolvimento do nosso país, que é o fim último, ou seja, que para além da segurança, é também criar prosperidade para o Estado moçambicano".

Por seu turno, o empresário Assifo Ossumane considera que a análise que deve ser feita relativamente a este assunto tem que ser muito profunda, realçando que se calhar, é preciso aproveitar a oportunidade de os trabalhos da Total e de todas as empresas ligadas ao petróleo e gás em Cabo Delgado estarem paralisados e a possibilidade de a petrolífera francesa sair de Moçambique para os moçambicanos reflectirem se vale a pena mesmo avançar com este projecto.

Ussumane avança que o recurso gás trazia uma série de promessas para o povo moçambicano, "mas se a consequência de explorarmos esse recurso não é a prosperidade, não é reduzirmos as desigualdades económicas e sociais e termos melhor saúde e educação e, pelo contrário, se a consequência é termos conflitos, matanças e guerras, nós como moçambicanos, temos que pensar se estaremos preparados para explorar este recurso".

"Será que temos as instituições certas, será que temos as valências e competências certas, será que temos as lideranças certas", interrogoa-se aquele homem de negócios, para quem "tudo isto tem que ser repensado, e eu acho que este é o momento certo para se fazer essa reflexão".

A decisão da Total e a resposta do Governo

Entretanto, o Instituto Nacional de Petróleos, na voz do seu presidente do Conselho de Administração, Carlos Zacarias, diz que a Total não se vai embora e que a exploração de gás na bacia do Rovuma, no distrito de Palma, vai mesmo arrancar em 2024.

Zacarias reitera que a Total apenas suspendeu as suas actividades por causa dos ataques e " logo que as condições de segurança criadas e melhoradas, tenho a certeza de que essas actividades serão retomadas".

Antes, em comunicado, a gigante francesa disse, em comunicado, que “considerando a evolução da situação da segurança no norte da província de Cabo Delgado, em Moçambique, a Total confirma a retirada de todo o pessoal do projecto Mozambique LNG, do local de Afungi”.

A companhia acrescenta, no entanto, que reitera “a sua solidariedade para com o Governo e povo de Moçambique e deseja que as acções desenvolvidas pelo Governo de Moçambique e seus parceiros regionais e internacionais permitam o restabelecimento da segurança e estabilidade na província de Cabo Delgado de forma sustentada”.

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