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Analistas questionam anúncio de doações de deputados do MPLA e da UNITA para combater a Covid-19


Assembleia Nacional de Angola, em Luanda

Os deputados dos dois principais partidos de Angola anunciaram no início de abril uma contribuição de parte dos seus salários referente àquele mês para o combate ao novo coronavírus.

Os parlamentares do MPLA prometeram doar 25 por cento do salário, enquanto os do maior partido na oposição, UNITA, disseram ter decidido doar 50 por cento dos seus vencimentos para o mesmo fim.

Entretanto, analistas em Angola afirmam que a promessa não passou disso e que foi apenas um acto propagandista que visou ludibriar o eleitorado.

No total, a contribuição dos 201 deputados ascenderia 39 milhões de kwanzas, cerca de 60 mil dólares.

Para confirmar as doações, a VOA contactou o porta-voz da UNITA, Marcial Dachala, que negou dar entrevista e remeteu-nos ao presidente da bancada parlamentar, Liberty Chiaka, que, apesar das insistentes chamadas, nunca respondeu.

O mesmo aconteceu com as chamadas efetuadas a Albino Carlos, porta-voz do MPLA, quem no início da campanha havia garantido que os seus deputados já estavam a contribuir.

Nos círculos políticos de Luanda, observadores falam em propaganda.

Para o jornalista Ilídio Manuel, apenas valeu a intenção e não se consegue aferir o cumprimento da promessa.

“Concretamente não se sabe quanto é que o partido x contribuiu, portanto eu acho que eles deviam usar os mesmos canais para anunciarem se efetivamente foi dado o dinheiro, quanto foi dado e a quem foi dado”, desafia Manuel.

O analista político Rui Kandove também entende que a promessa não passou de um ato propagandista que visava ludibriar o eleitorado.

Para Kandove, não existem números nem relatórios que possam garantir a entrega dos valores prometidos.

“Muitas reticências em relação o futuro político do próprio país porque fazer anúncios faraónicos de como os representantes do povo tiram parte do seu salário, com destaque, é claramente uma aproximação propagandista e parece que estamos mais perante um jogo político do que outra coisa”, sustenta Kandove.

Enquanto isso, em Luanda, nas zonas do Talatona e Cacuaco, continuam a chegar relatos de crianças que morrem por falta de alimentação.

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