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Amílcar Cabral, nacionalista e homem de cultura

  • Redacção VOA

Amílcar Cabral

O percurso do fundador do PAIGC e herói da luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde

Amílcar Lopes Cabral nasceu a 12 de Setembro de 1924 em Bafatá, na Guiné-Bissau, filho de Juvenal Lopes Cabral e de Iva Pinhel Évora.

Aos 12 anos de idade junta-se ao pai, que nessa altura já havia regressado a Cabo Verde, e efectua os seus estudos primários na Rua Serpa Pinto, na Praia.

Radicado em Achada Falcão, em Santa Catarina, no interior da ilha de Santiago, segue mais tarde para a ilha de São Vicente, onde termina os estudos liceais em 1944, tendo sido classificado como o melhor aluno.

Ainda na sua juventude, Cabral evidenciava já uma especial avidez pela percepção do mundo que o rodeava, facto que se espelhava nos seus dotes de poeta e de escritor.

Os seus sentimentos nacionalistas eram vistos com reprovação pelas autoridades coloniais.

Em 1945, Cabral foi um dos primeiros jovens das então colónias portuguesas a ser contemplado com uma bolsa de estudos para Portugal e matricula-se no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa.

Primeiros passos

A vida de estudante constituiu uma oportunidade para aprofundar o seu sentimento progressista anti-colonial, participando activamente nas atividades estudantis clandestinas que se desenvolviam à volta da Casa dos Estudantes do Império e da Casa de África.

Foi então que conheceu vários nacionalistas africanos como Marcelino dos Santos, Vasco Cabral, Agostinho Neto, Eduardo Mondlane e outros estudantes que viriam a ser futuros líderes dos movimentos de libertação.

Depois de concluiu o curso, em 1952, Cabral casou-se com a portuguesa Maria Helena Atalaide Vilhena Rodrigues.

Teve duas filhas, Iva e Irina, e, mais tarde, separou-se de Maria Helena e casou-se com Ana Maria Cabral, natural da Guiné-Bissau.

No ano seguinte, é colocado como engenheiro agrónomo na Guiné-Bissau, para trabalhar na estação agrária experimental de Pessubé, e aproveita-se da sua actividade profissional para percorrer o país e conhecer o terreno bem como da constituição social das suas populações.

"Amílcar Cabral era fundamentalmente humanista", Val Lopes
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Em 1956, depois de ter militado durante cerca de um ano no MING (Movimento de Libertação Nacional da Guiné), Amílcar Cabral fundar o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), a 19 de Setembro, juntamente com Aristides Pereira e outros nacionalistas cabo-verdianos e guineenses.

Um ano mais tarde, Cabral foi trabalhar em Angola onde participou também na criação do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) em Luanda, tendo desenvolvido uma intensa atividade na mobilização de jovens angolanos para a luta contra a dominação colonial.

Fundação do PAIGC

Em Dezembro de 1957, Cabral viaja para Paris onde se encontra com Marcelino dos Santos, da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), e com Lúcio Lara, Mário de Andrade e Viriato da Cruz, do MPLA.

Juntos resolvem então realizar a primeira reunião de concertação entre os movimentos de libertação das colónias portuguesas.

Cabral ao regressar de Paris passa por Lisboa onde mobiliza os estudantes nacionalistas africanos para criarem o MAC (Movimento Anti Colonialista), primeira organização clandestina formada em Portugal por estudantes oriundos das colônias portuguesas.

Depois do massacre de Pidjiguiti realizado em Bissau pelas forças coloniais, a 3 de agosto de 1959, ele resolve regressar à Guiné-Bissau, onde reúne a direção do PAIGC para analisar a situação da luta no país.

Fica então decidido que o PAIGC deveria dar atenção prioritária à mobilização das populações rurais, com vista à preparação de condições para a passagem à luta armada.

Luta armada

Em 1960, Cabral decide fugir com os seus companheiros para a Guiné-Conakri ondeficaria instalada a sede do PAIGC, a partir de onde ele trabalha activamente nos preparativos para o reforço do PAIGC e o arranque da luta armada de libertação nacional.

A 23 de Janeiro de 1963 inicia-se a luta armada na Guiné-Bissau.

De forma genial ele conseguiu conjugar os sucessos que se iam alcançando no terreno da luta militar na Guiné-Bissau e no da luta política clandestina em Cabo Verde, com o desenvolvimento de uma acção diplomática que ele pessoalmente conduziu da forma mais eficaz.

Cabral desempenhou uma intensa actividade diplomática junto das Nações Unidas e de vários países, nomeadamente, ocidentais.

Assassinato

Ele chegou a discursar nas Nações Unidas e foi recebido no Vaticano.

No momento em que era notória a vitória no terreno sobre as forças portuguesas e no campo diplomático, ele foi assassinado a 20 de Janeiro por guerrilheiros do próprio PAIGC, o que foi considerado de traição.

A 24 de Setembro do mesmo ano, a Guiné-Bissau declarou a sua independência de forma unilateral e Cabo Verde tornou-se independente a 5 de Julho de 1975.

A guerra terminou com o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 em Portugal, que deu início às negociações para a independência de todas as então colónias portuguesas em África.

Além da de política, Amílcar Cabral destacou-se como poeta e profundo pensador do seu tempo.

É considerado um dos principais nacionalistas africanos.

“Sou um simples africano que quis saldar a sua dívida com o seu povo e viver a sua época”, é uma das frases mais emblemáticas de Amílcar Cabral.

*Fonte: Fundação Amílcar Cabral

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