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Alarme em centro de quarentena «sem vida», tomado por bichos, em Benguela


Benguela (Foto de Atquivo)

A poucas horas da entrada em vigor do estado de emergência, aumenta o tom da crítica devido ao que se considera ser um sufoco no centro de quarentena em Benguela, havendo inquietações relativas à possibilidade de fome por força do decreto presidencial que pretende evitar uma calamidade pública em Angola.

Com cerca de 20 pessoas confinados, o centro, um hotel que esteve fechado quase dois anos, está tomado por baratas, aranhas e ninhos de marimbondos, revela uma cidadã que diz ter sido humilhada à saída de casa, num protesto em que antevê mais complicações nos próximos dias.

Proveniente de Portugal no passado dia 14 de Marco, uma semana antes dos chamados «aviões da confusão», em Luanda, em conversa com a VOA, a senhora diz que chegou ao centro após ter cumprido todas as orientações médicas, mas nem isso evitou excessos da Polícia.

‘’Quer dizer, rodando a cidade toda, estamos estigmatizados com os infetados do coronavírus. Quando chegamos, estava tudo apagado, não havia vida e, ao entrarmos, disseram que não tinha comida. Com a família toda cá, e sem trabalhar por causa do estado de emergência, como vamos ter comida?’’, diz e lamenta: ‘’A nossa casa foi toda transportada para cá, marido e filhos’’, lamenta.

A fonte da VOA, que prefere não ser identificada, diz que o vai e vem da energia e água, o convívio com bichos e problemas de saneamento no hotel são males tão ou mais preocupantes do que a assistência médica, o ponto essencial da quarentena.

‘’Só na quarta-feira é que apareceu cá um senhor… um médico, dizem que é médico, com um termómetro, desorientado, a dar resultados inexistentes. Pedimos que ele testasse em si mesmo e a temperatura foi de 31 graus, de um ser humano, ele não cabia em si de vergonha’’, acrescenta a senhora.

A comissão provincial que trata do combate ao covid-19, coordenada pelo governador Rui Falcão, forçado a abandonar uma reunião para saber da situação no centro, ainda não reagiu a queixas como estas, patentes também nas redes sociais.

Em protesto ao lado do marido e filhos, todos em quarentena há quatro dias, a cidadã terminou a sua intervenção estabelecendo um quadro comparativo, tendo como paradigma a realidade em outras paragens.

Dúvidas sobre o estado de emergência

Também no quadro das comparações, o jurista Waldemar Tadeu, constitucionalista, diz não ver razões para um estado de emergência, embora aplauda as medidas de prevenção, e pede o mínimo de dignidade para as pessoas isoladas.

Waldemar Tadeu
Waldemar Tadeu

‘’Será que existirão outros casos que se vão juntar a esses três? As autoridades dizem ter a situação controlada, por isso, e se for só com base nestes casos, acho que o estado de emergência não devia ter sido decretado’’, sublinha o jurista.

Benguela tem ainda cidadãos em quarentena domiciliar, que por sinal chegaram da Europa juntamente com os três doentes confirmados.

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