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"É preciso abrir os arquivos da DISA", diz dirigente da Fundação 27 de Maio


General Silva Mateus

Os arquivos da antiga polícia secreta angolana DISA devem ser abertos para que se possa investigar o que se passou no 27 de Maio de 1997 quando confrontoos em Luanda acabaram por resultar na prisão e morte de dezenas de milhares de pessoas, disse o general Silva Mateus, da Fundação 27 de Maio.

Silva Mateus acrescentou que a sua organização considera “incontornável”, a identificação dos responsáveis pelos massacres, bem como os seus mandantes “para que sejam conhecidos por todos”.

Para esse efeito, afirmou, “é preciso que se abram os arquivos da DISA”.

As declarações do general surgem depois de membros da Comissão para Reconciliação em Memória das Vítimas de Conflitos Políticos em Angola terem admitido haver “um longo caminho a percorrer” até se obterem consensos para a conclusão do processo de perdão e reconciliação dos angolanos.

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola,Francisco Queiroz, reconheceu, recentemente, tratar-se de "um assunto muito sensível, que mexe com sentimentos profundos de dor e mágoas".

A representante da UNITA no Grupo Técnico e Científico da Comissão, Clarisse Kaputo, declarou à VOA que a identificação dos locais onde foram enterradas as vítimas é a base para que se possam realizar os “funerais condignos”.

“Toda a gente está interessada em ouvir desse organismo quais são os trâmites para que os lesados possam encontrar a paz de espírito mas também para, pelo menos, homenagearem os seus parentes, fazendo o seu processo de luto condigno e também um perdão condigno”, defendeu a dirigente da UNITA.

A Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos foi criada pelo Presidente João Lourenço com o objetivo de se estabelecer “as bases de consolidação da paz e da reconciliação, unir os angolanos e afastar os fantasmas que ainda ensombram o passado recente de Angola”.

A comissão elaborou um Plano de Reconciliação que prevê a construção de um memorial único para todas as vítimas dos conflitos políticos registados no país, a ser erguido em Luanda, na encosta da Boavista, município do Sambizanga.

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