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África do Sul: Morreu Jonas Gwangwa, trombonista anti-apartheid


Jonas Gwangwa (screebgrab)

Gwangwa morreu no dia em que passam três anos após a morte de Hugh Masekela, considerado pai do jazz sul-africano; e dois anos após o Zimbabwe perder a sua maior legenda musical, Oliver Mtukudzi

O trombonista e compositor de jazz da África do Sul Jonas Gwangwa, cuja música impulsionou a luta contra o apartheid, morreu no sábado, 23, aos 83 anos, anunciou a presidência.

O presidente Cyril Ramaphosa orientou as homenagens ao lendário músico, que foi indicado ao Oscar pelo tema musical do filme "Cry Freedom", de 1987, escreve a agência Reuters.

"Um gigante de nosso movimento cultural revolucionário e das nossas indústrias criativas democráticas foi chamado para descansar", disse Ramaphosa.

"O trombone que vibrou com ousadia e bravura, e igualmente aqueceu os nossos corações com a melodia suave, perdeu a sua força vital", acrescentou o presidente.

Gwangwa morreu de complicações cardíacas, disse o seu filho Mojalefa à agência News24.

O renomado trombonista perdeu a vida duas semanas depois da morte da sua esposa, Violete.

Coincidentemente, Gwangwa morreu no dia em que passam três anos após a morte de Hugh Masekela, considerado pai do jazz sul-africano; e dois anos após o Zimbabwe perder a sua maior legenda musical, Oliver Mtukudzi.

Luta contra o apartheid

Nascido a 19 de Outubro de 1937, em Orlando east, no Soweto, arredores de Joanesburgo, Gwangwa fez uma carreira musical de, pelo menos, 65 anos.

Jonas Gwangwa iniciou a carreira, na década de 1950, no grupo do padre anglicano Trevor Huddleston, no Colégio St Peter, em Joanesburgo.

Ele (Gwangwa) encantou o público em Sophiatown até que se tornou ilegal a congregação de negros, e músicos sul-africanos foram presos apenas por praticar o seu ofício
Presidente Cyril Ramaphosa

Inicialmente, queria tocar clarinete, mas na altura de distribuição de instrumentos recebeu um trombone e teve medo de solicitar a troca.

Na sua família, a música abundava. Na escola, tinha aulas de música, e nos filmes tinha o contacto com o jazz americano, e uma das suas primeiras referências foi Dizzy Gillespie.

Uma das suas primeiras experiências internacionais foi com o musical King Kong (exibido entre 1959 e 1961), em Londres. Foi daí que conseguiu contactos para ingressar na Manhattan School of Music, em Nova Iorque.

A saída coincidiu com a banimento de manifestações artísticas, que o regime racista considerava subversivas.

"Ele (Gwangwa) encantou o público em Sophiatown até que se tornou ilegal a congregação de negros, e músicos sul-africanos foram presos apenas por praticar o seu ofício", disse Ramaphosa.

Em Nova Iorque, Gwangwa partilhou o quarto com Hugh Masekela. Aos dois juntou-se o compositor Caiphus Semenya e nasceu a Union of South Africa, grupo que apresentou ao mundo a visão sul africana do jazz.

Nos Estados Unidos, Gwangwa trabalhou, entre outros com o popular trompetista Herb Alpert; e fez os arranjos e regência do histórico disco “An evening with Harry Belatonte and Miriam Makeba (uma noite com Harry Belafonte e Miriam Makeba), que ganhou o Grammy de melhor “folk”, em 1965. A canção “Malaika” faz parte desse disco.

Jonas Gwangwa (direita), Hugh Masekela (esquerda) e Caiphus Semenya (centro) na homenagem a Miriam Makeba, em Joanesburgo, 15 de Novembro, 2008.
Jonas Gwangwa (direita), Hugh Masekela (esquerda) e Caiphus Semenya (centro) na homenagem a Miriam Makeba, em Joanesburgo, 15 de Novembro, 2008.

Em 1980, Gwangwa aceitou o convite do presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), Oliver Tambo, para liderar o Amandla Cultural Ensemble. Para tal, deveria reunir jovens com dotes artísticos que faziam parte da ala militar do ANC em Angola.

Gwangwa passa parte da década de 1980 entre Angola, Botswana e digressões internacionais, usando as artes para denunciar o apartheid, a política de segregação racial na África do Sul.

Em 1985, Gwangwa escapou por pouco da morte, quando a sua casa, no Botswana, foi destruída pelas forças de segurança do regime racista sul-africano.

Em 1991, regressou à Africa do Sul e continua a sua carreira a solo.

Gwangwa foi, em, 2010, distinguido com a Ordem de Ikhamanga, o maior prémio nacional da África do Sul pelos feitos nas artes e cultura.

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