domingo, 26 outubro, 2014. 00:17 UTC

Moçambique

Moçambique será segundo maior produtor mundial de gás liquefeito

Governo satisfeito com acordo entre Andarko e ENI para construção de complexos de liquefacção no norte do país

João Santa Rita
O governo moçambicano está satisfeito com um acordo alcançado entre duas companhias estrangeiras para a construção conjunta de complexos de liquefacção de gás no norte do país, disseram fontes da indústria de exploração de gás


O acordo preliminar foi alcançado entre a companhia americana Anadarko e a italiana ENI.

Fontes da indústria de gás disseram que o acordo de colaboração é algo de invulgar na indústria de exploração de gás mas que ao assinarem o acordo, a Anadarko e a ENI respondiam a pressões do governo moçambicano que quer impedir que na exploração do gás se repita o que aconteceu na exploração do carvão na província de Tete com as a companhias a desenvolverem separadamente as suas próprias infra-estruturas.

Segundo um comunicado da Anadarko esta companhia e a ENI concordaram em “coordenar o desenvolvimento de reservatórios de gás natural comuns na zona offshore 1 operada pela Anadarko e a zona offshore 4 operada pela ENI”.

As duas companhias, disse o comunicado, vão levar a cabo “actividades separadas mas coordenadas de desenvolvimento off shore” e ao mesmo tempo – e aqui a importância do comunicado – “vão planear e construir em conjunto  complexos de liquefacção" na província de Cabo Delgado”.

Aliás foram já dados a conhecer concursos para o desenho e construção desses complexos.

Projecto de liquefacçao de gásProjecto de liquefacçao de gás
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Projecto de liquefacçao de gás
Projecto de liquefacçao de gás
Inicialmente prevê-se a construção de dois complexos com a capacidade de produção anual cada um de cinco milhões de toneladas de gás liquefeito. Cada complexo, ou “train” na língua inglesa, custa entre quatro a cinco mil milhões de dólares.

Contudo o plano total para o desenvolvimento do gás do norte de Moçambique prevê a construção 10 desses complexos o que tornará a zona no segundo maior complexo de liquefacção de gás do mundo a seguir ao Qatar. Os investimentos para isso deverão portanto totalizar cerca de 50 mil milhões de dólares.

Os depósitos de gás são tão abundantes que a Anadarko disse que a companhia está agora a considerar “Joint Ventures” para  financiar até um terço dos seus interesses em Moçambique. Uma “Joint Venture” iria ajudar a Anadarko  com os custos de desenvolver as reservas enormes ao largo de Moçambique e reduzir também os seus riscos.

Analistas afirmam que a Anadarko não deverá ter problemas em atrair outras companhias e alguns desses analistas afirmam que a SHELL poderá estar interessada.
O forúm foi encerrado
Comentário
Comentários
     
por: carlos bavo de: Maputo
29.12.2012 10:00
O governo moçambicano fez muito bem por pressionar as duas companhias a chegar a tal acordo. Isso mostra que temos estado a aprender com erros do passado. A experiência de Cateme (Tete), não tem sido boa para a população. Em Palma, Cabo delgado, serão necessários estudos sociais e ambientais mais sérios e aprofundados. Ninguém está interessado em conflitos resultantes da descoberta de recursos, o que se pretende é que os interesses empresariais e sociais (da população) sejam salvaguardados e isso é perfeitamente possível.

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