sexta-feira, 31 outubro, 2014. 20:36 UTC

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2013 - O Discurso de Tomada de posse de Barack Obama

Cada vez que nos reunimos para dar posse a um presidente, damos testemunho da força duradoura da nossa Constituição. Afirmamos a promessa da nossa democracia.

Barack Obama discursando na tomada de posse (21 Janeiro 2013)Barack Obama discursando na tomada de posse (21 Janeiro 2013)
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Barack Obama discursando na tomada de posse (21 Janeiro 2013)
Barack Obama discursando na tomada de posse (21 Janeiro 2013)
Recordamos que nos une como nação não são as cores da nossa pele ou os princípios de nossa fé ou as origens de nossos nomes. O que nos torna excepcionais - o que nos faz americanos - é a nossa fidelidade a uma ideia, articulada numa declaração feita há mais de dois séculos.
 
"Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre eles a vida, a liberdade e a busca da felicidade."
 
Hoje continuamos uma jornada sem fim, para adaptarmos o significado dessas palavras às realidades do nosso tempo. A história diz-nos que, enquanto estas verdades podem ser auto-evidentes, nunca foram auto-realizaveis. A liberdade é um dom de Deus,mas deve ser garantida pelo seu povo aqui na Terra. Os patriotas de 1776 não lutaram para substituir a tirania de um rei pelos privilégios da minoria ou o domínio da multidão. Eles deram-nos uma República, um governo de, por, e para o povo, confiando que cada geração manteria esse credo da nossa fundação.
 
Durante mais de 200 anos, conseguimos.
 
Juntos, determinamos que uma economia moderna exige ferrovias e rodovias para acelerar viagens e comércio, escolas e faculdades para treinar os nossos trabalhadores.
 
Juntos, descobrimos que um mercado livre só prospera quando há regras para garantir a competição e fair play.
 
Juntos, percebemos que uma grande nação deve cuidar dos mais vulneráveis e proteger seu povo dos piores perigos da vida e infortúnios.
 
Apesar de tudo isso nunca abandonamos o nosso cepticismo da autoridade central, nem sucumbimos à ficção de que todos os males da sociedade podem ser curados pelo governo sozinho. A nossa celebração de iniciativa e empreendimento, a nossa insistência no trabalho duro e responsabilidade pessoal, são constantes do nosso carácter.
 
Mas sempre entendemos que quando os tempos mudam, tambem nos temos (que mudar); que a fidelidade aos nossos princípios fundadores exige novas respostas para novos desafios; que preservar nossas liberdades individuais, em última análise, requer acção coletiva. Porque o povo americano não pode mais responder às exigências do mundo atual agindo sozinho, da mesma forma como os soldados norte-americanos não poderiam ter enfrentado as forças do fascismo ou do comunismo com mosquetes e milícias. Nenhuma pessoa sózinha pode treinar todos os professores de matemática e de ciências de que vamos precisar para equipar as nossas crianças para o futuro, ou construir as estradas e redes e laboratórios de pesquisa que irão criar novos empregos e negócios nas nossas costas. Agora, mais do que nunca, temos de fazer essas coisas juntas, como uma nação, e um povo.
 
Esta geração de americanos tem sido testada por crises que endureceu a nossa determinação e testou a nossa capacidade de resistência. Uma década de guerra está agora a terminar. A recuperação econômica já começou.  As possibilidades da América são ilimitadas, porque possuimos todas as qualidades que este mundo sem fronteiras  exige: juventude e dinamismo, diversidade e abertura, uma capacidade infinita para o risco e um dote para a reinvenção. Meus compatriotas americanos, somos feitos para este momento, e vamos aproveitá-lo - desde que façamos juntos.
 
Nós, o povo, entendemos que o nosso país não pode ter êxito quando uns poucos estão muito bem e  um número cada vez maior não o estão. Acreditamos que a prosperidade da América deve repousar sobre os ombros largos de uma crescente classe média. Sabemos que a América prospera quando cada pessoa pode encontrar independência e orgulho no seu trabalho, quando o salário do trabalho honesto liberta as famílias da quase miséria. Somos fiéis à nossa crença quando uma menina nascida na pobreza mais desanimadora sabe que ela tem a mesma chance de ter sucesso como qualquer outra pessoa, porque ela é uma americana, ela é livre, e ela é igual, não apenas aos olhos de Deus mas também aos nossos.
 
Entendemos que os programas obsoletos são inadequados para as necessidades do nosso tempo. Devemos aproveitar novas ideias e tecnologia para refazer o nosso governo, renovar o nosso código fiscal, reformar as nossas escolas e capacitar nossos cidadãos com as habilidades que eles precisam para trabalhar mais, aprender mais, e chegar mais alto. Mas, enquanto os meios vão mudar, o nosso objetivo permanece: uma nação que recompensa o esforço e determinação de cada americano. Isso é o que este momento exige. Isso é o que vai dar sentido real ao nosso credo.
 
Nós, o povo, ainda acreditamos que todo cidadão merece uma medida básica de segurança e dignidade. Temos que fazer as escolhas difíceis para reduzir o custo dos cuidados de saúde e o tamanho do nosso déficit. Mas nós rejeitamos a crença de que a América tem de escolher entre cuidar da geração que construiu este país e investir na geração que irá construir o seu futuro. Recordamos as lições do passado, quando foram gastos anos na pobreza, e os pais de uma criança com deficiência não tinham quem os ajudasse.  Nós não acreditamos que, neste país, a liberdade está reservada para os afortunados, ou a felicidade para uns poucos. Reconhecemos que não importa como responsável vivemos nossas vidas, qualquer um de nós, a qualquer momento, pode enfrentar uma perda de emprego, ou de uma doença súbita, ou ver a sua casa varrida por uma terrível tempestade. Os compromissos que assumimos uns com os outros - através do Medicare, e Medicaid, e da Segurança Social - essas coisas não esgotam a nossa iniciativa, eles nos fortalecem. Eles não nos transformam numa nação de subsidiados, pelo contrário libertam-nos para assumir os riscos que fazem deste um grande país.
 
Nós, o povo, ainda acredito que nossas obrigações como americanos não são apenas para connosco mesmos, mas para com toda a posteridade. Vamos responder à ameaça da mudança climática, sabendo que a falta de o fazer iria trair os nossos filhos e gerações futuras. Alguns ainda podem negar o julgamento esmagador da ciência, mas ninguém pode evitar o impacto devastador de intensos incêndios, e seca incapacitante, e mais tempestades poderosas. O caminho para as fontes de energia sustentáveis será longo e, por vezes, difícil. Mas os Estados Unidos não pode resistir a essa transição, é preciso liderá-la. Não podemos ceder a outros países a tecnologia em que vai assentar a criação de novos empregos e novas indústrias - devemos reivindicar a sua promessa. É assim que vamos manter a nossa vitalidade econômica e o nosso tesouro nacional - as nossas florestas e cursos de água; as nossas áreas de cultivo e as montamnhas cobertas de neve. É assim que vamos preservar o nosso planeta, entregues aos nossos cuidados por Deus. Isso é o que vai dar sentido ao credo definido em tempos pelos nossos pais.
 
Nós, o povo, ainda acreditamos que uma segurança duradoura e uma paz duradoura não exigem uma guerra perpétua. Os nossos bravos homens e mulheres em uniforme, temperados pelas chamas de batalha, são incomparáveis em habilidade e coragem. Nossos cidadãos, marcados a ferro pela memória daqueles que perdemos, estão bem cientes do preço que se paga pela liberdade. O reconhecimento de seu sacrifício vai-nos manter sempre vigilantes contra aqueles que nos fariam mal. Mas também somos herdeiros de quem ganhou a paz, e não apenas a guerra, dos que transformaram inimigos declarados em amigos fiéis, e temos que  transportar essas lições também para o nosso tempo.
 
Vamos defender o nosso povo e defender os nossos valores através da força das armas e do Estado de direito. Vamos mostrar a coragem de tentar e resolver as nossas diferenças pacificamente com outras nações - não porque somos ingênuos sobre os perigos que enfrentamos, mas porque engajamento pode de forma mais duradoura ultrapassar a suspeita e o medo. América continuará a ser a âncora de alianças fortes em todos os cantos do globo, e vamos renovar as instituições que se alargam a nossa capacidade de gerir crises no exterior, pois ninguém tem uma participação maior em um mundo pacífico do que sua nação mais poderosa. Vamos apoiar a democracia da Ásia a África; das Américas ao Médio Oriente, porque os nossos interesses e nossa consciência nos obrigam a agir em nome daqueles que anseiam por liberdade. E temos de ser uma fonte de esperança para os pobres, os doentes, os marginalizados, as vítimas de preconceito - não por caridade, mas sim, porque a paz em nosso tempo requer o avanço constante destes princípios que nossa crença comum descreve: tolerância e oportunidade; dignidade humana e justiça.
 
Nós, o povo, declaramos hoje que a mais evidente das verdades - que todos somos iguais - é a estrela que ainda nos guia,assim como guiou nossos antepassados através de Seneca Falls, e Selma, e Stonewall; assim como guiou todos aqueles homens e mulheres, conhecidos e desconhecidos, que deixaram as suas pegadas ao longo deste Mall, para ouvir um pregador dizer que não podemos caminhar sozinhos, para ouvir um rei proclamar que a nossa liberdade individual está intrinsecamente ligada à liberdade de cada alma na Terra.
 
Agora, é tarefa da nossa geração continuar o que os pioneiros começaram. A  nossa viagem não estará completa até que nossas esposas, nossas mães, filhas possam ganhar salários iguais a seus esforços. A nossa jornada não está completa até que os nossos irmãos e irmãs homosexuais sejam tratados como qualquer outra pessoa aos olhos da lei - pois se somos verdadeiramente iguais, então certamente o amor que damos uns aos outros deve também ser igual. A nossa viagem não está completa até que nenhum cidadão seja obrigado a esperar horas para exercer o direito de voto. A nossa jornada não está completa até que encontremos uma melhor maneira de acolher imigrantes esperançosos que ainda vêem a América como uma terra de oportunidades;até que brilhantes jovens estudantes e engenheiros possam entrar na nossa força de trabalho, em vez de serem expulsos do nosso país. A nossa jornada não está completa até que todas as nossas crianças, desde as ruas de Detroit até às montanhas da Appalachia às ruas pacatas de Newtown, saibam que as protegemos, e acarinhamos, e nao permitiremos que lhes façam mal.
 
Essa é a tarefa da nossa geração - a fazer destas palavras, destes direitos, destes valores - vida,liberdade e da procura da felicidade - reais para cada americano. Ser fiel aos nossos documentos fundadores não nos obriga a concordar com todos os contornos da vida; isso não quer dizer que vamos definir todos a liberdade da mesma maneira, ou seguir o mesmo caminho para a felicidade. O progresso não nos obriga a resolver debates de séculos sobre o papel do governo -, mas exige-nos agir no nosso tempo.
 
Agora temos que tomar decisões, não podemos permitir o atraso. Não podemos confundir o absolutismo por princípio, ou considerar chamar nomes como sendo debate.  Devemos agir, sabendo que o nosso trabalho vai ser imperfeito. Devemos agir, sabendo que as vitórias de hoje serão apenas parciais, e que caberá aos que aqui estiveram, daqui a quatro anos, em 40 anos, em 400 anos  fazer avançar o espírito intemporal, que nos foi outorgado num salão de Filadélfia.
 
Meus compatriotas americanos, o juramento que hoje fiz perante vós, como o recitado por outros que servem neste Capitólio, foi um juramento a Deus e ao país, e não a um partido ou uma facção - e devemos fielmente executar essa promessa enquanto servirmos. Mas as palavras que pronunciei hoje não são tão diferentes do juramento que é feito de cada vez que um soldado se inscreve para o serviço militar, ou um imigrante realiza o seu sonho. O meu juramento não é tão diferente do compromisso que todos nós fazemos à bandeira que ondula acima de nós e que enche os nossos corações de orgulho.
 
Elas são as palavras de cidadãos, e representam a nossa maior esperança.
 
Vocês e eu, como cidadão, temos o poder de definir o curso deste país.
 
Vocês e eu, como cidadãos, temos a obrigação de moldar os debates do nosso tempo - não apenas com os votos expressos,mas com as vozes que usamos em defesa dos nossos valores mais antigos e ideais duradouros.
 
Que cada um de nós agora aceite, com o dever solene e alegria incrível, o que é o nosso património. Com esforço comum e propósito comum, com paixão e dedicação, vamos responder à chamada da história, e levar para um futuro incerto essa preciosa luz da liberdade.
 
Obrigado, que Deus vos abençoe, e que Ele abençoe sempre estes Estados Unidos da América.
O forúm foi encerrado
Comentário
Comentários
     
por: Paulo Brijonev de: Luanda-Angola
22.01.2013 08:39
Prestem atenção as linhas por que se cozem esse discurso, a clara demonstração de defender em primeira mão, os interreses dos americanos e da América, mas sobretudo, orespeito pelos ideias americanos e a preocupação de superação cada vez mais. Este é para mim um verdadeiro discurso de chefe de estado e promoção da nação americana!

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