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Refugiados moçambicanos começam a chegar a Luwani

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Crianças são a maioria nos campos de refugiados de moçambicanos no Malawi. Campo de Kapise, distrito de Mwanza. Janeiro, 27, 2016

Crianças são a maioria nos campos de refugiados de moçambicanos no Malawi. Campo de Kapise, distrito de Mwanza. Janeiro, 27, 2016

Há promessa de educação e saúde no novo acampamento.

O Malawi iniciou, no último fim-de-semana, a transferência dos dez mil refugiados moçambicanos da fronteira para o reaberto acampamento de Luwani, a sudoeste do país.

Cerca de 12 mil moçambicanos atravessaram a fronteira a busca de asilo no Malawi. Tudo começou em Dezembro de 2015.

O primeiro grupo de 81 pessoas – a maioria mulheres e crianças – vivia num centro em Nsanje, Sul do Malawi. Os autocarros percorreram 320 quilómetros até o novo acampamento.

Após a chegada, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) ofereceu alimentos, utensílios domésticos e alocou terra a cada família. Para os primeiros dias, já havia tendas.

Antes do encerramento oficial, em 2007, o campo de Luwani, abrigou 300 mil moçambicanos durante a guerra civil, entre 1977 e 1992.

Os novos refugiados são do centro de Moçambique e fogem do conflito entre as forças do governo e da Renamo.

Um dos realocados, Pensulo Loponi, conta que as forças do governo queimaram casas e mataram pessoas que acusaram de dar abrigo a militantes da Renamo.

Loponi diz que vinha do mercado com dois amigos quando forças do governo acusaram-nos de ser da Renamo. Após mostrar o cartão de eleitor, deixaram-no em paz, mas os dois amigos – não tendo nenhum documento – foram mortos.

O governo diz que os militantes da Renamo atacam civis e querem que se revoltem contra o governo.

Enquanto decorria a transferência, a imprensa pública moçambicana escrevia que o Presidente Filipe Nyusi pediu aos combatentes da Renamo para deixarem as armas e retornarem ao diálogo.

A reabertura do acampamento de Luwani é controverso para alguns. O governador de Tete disse, em Março, que não há nenhum conflito e que as pessoas fugiam por causa da seca e falta de comida.

Edess Maison, de 83 anos, e acabada de chegar a Luwani, disse à VOA que isso não é verdade. A sua família deixou para trás porcos, cabritos e machambas.

Edess conta que não há paz no seu país e não podem regressar, porque o conflito continua. Ela e sua família agradecem o apoio do Malawi.

O Acnur informou que a realocação dos refugiados terá continuidade ao longo da semana. Há promessa de saúde e educação na área.

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