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Organizações querem reformar os ritos de iniciação para reduzir casamentos prematuros

  • Amâncio Miguel

Educação, prioridade para as meninas.

Educação, prioridade para as meninas.

…e introduzir mensagens apropriadas de educação sexual e reprodutiva.

Organizações de defesa dos direitos da criança querem reformar os ritos de iniciação para evitar que as meninas e adolescentes casem ou engravidem antes de atingir a idade adulta, em Moçambique.

Especialistas argumentam que os ensinamentos transmitidos nas cerimónias de ritos de iniciação contribuem para incentivar os pais a forçar as meninas a casar.

Percilia Muianga, gestora de programas de protecção da criança na Visão Mundial, conta que “é preciso ter em conta que as meninas vão aos ritos após a primeira menstruação” e nalguns casos podem ser menores de 10 anos, o que “é um acto negativo”.

E, continua Muianga, com o que aprendem nessas cerimónias “quando saem sentem-se mulheres prontas para o casamento e ter filhos, e isso é um problema e condenamos”.

A Visão Mundial, como integrante da Coligação para a eliminação dos casamentos prematuros, tem actividades em pontos muitos críticos, como Zambézia e Nampula, onde os ritos de iniciação estão profundamente enraizados e os índices de casamento de menores são acima da média nacional.

O casamento prematuro ocorre frequentemente no meio rural, onde as famílias forçam as filhas a viver e ter filhos com homens mais velhos. As consequências incluem a morte na gravidez, perca de auto-estima, limitadas oportunidades de progressão social e económica.

Moçambique é o décimo país com maior número de casamentos prematuros no mundo, numa lista liderada pelo Níger. Uma em cada duas raparigas casa antes dos 18 anos e uma em dez já está casada aos 15.

Penetrar no meio onde os ritos são realizados é complicado e as comunidades podem ser resistentes à mudanças. Com o apoio do governo e de líderes tradicionais e religiosos, as organizações membros da coligação começam a negociar reformas e têm esperança.

A ideia, segundo Muianga, não é eliminar a prática que até tem aspectos culturais importantes para as comunidades. “Queremos sentar com as matronas e dizer o que podemos ensinar em termos de educação sexual para as meninas durante os ritos", e explicar às mães que as suas filhas deverão continuar a estudar depois dessas cerimónias.

A coligação, que usa o slogan “Meninas e não noivas”, trabalha também com os pais e figuras influentes nas comunidades para mudarem de opinião em relação ao casamentos de crianças.

“Estamos muito positivos de que isso vai mudar realmente,” acredita Célia Claudina, directora executiva da Rede de Comunicadores para a Criança, também na linha da frente por esta causa.

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