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Namíbe: Professores mandados para casa por falta de qualificações

  • Armando Chicoca

Sala de aula, Namibe, Angola

Sala de aula, Namibe, Angola

Mais de 50 educadores foram rejeitados depois de ter sido feita a sua avaliação

A educação em foco

Apesar de terem apresentado certificados de habilitações do ensino médio, que os habilita ao exercício de docência, depois de terem passado por escolas específicas de formação de professores, pouco mais de cinquenta docentes, recém-admitidos através do concurso público realizado na província, foram descartados no final do seminário de capacitação e aprimoramento pedagógico,que tem decorrido normalmente nesta urbe em todos anos,culminando com a tradicional entrega de guia de colocação ás respectivas escolas, onde os professores vão leccionar.

No presente ano 2011,notou-se no final da avaliação da acção de aprimoramento pedagógico que,num universo de cerca de oitocentos novos professores, ora admitidos, estavam intruso em número elevado de indivíduos que não sabem ler e nem escrever convenientemente, mas que ousavam intitular-se mestres da arte de ensino.

A careca foi descoberta sem lupas,pois a arte de ensinar não se compadece com meras aventuras.O porta-voz da delegação Provincial do Namíbe da Educação António Ngulawa, que revelou o facto à Voz de América.Disse ele que não é professor quem quer mas,sim,quem merece e que a era de charlatães pertence ao passado.

Professor António Ngulawa, Namibe, Angola

Professor António Ngulawa, Namibe, Angola

"A era de professores aventureiros e dos professores mercenários já passou. É necessário que haja maior entrega da parte dos novos professores porque, senão, poderão perder esta profissão, porque o professor tem uma grande taref:a de moldar, de preparar a sociedade para os desafios do desenvolvimento que se afiguram no futuro", defendeu Ngulawa.

Os suspeitos charlatães-professores,descartados no balanço de quarenta e cinco dias de aprimoramento pedagógico e arte de ensinar, ainda assim, serão submetidos a uma nova acção de preparação, findo a qual, sem aproveitamento desejado, serão descartados em definitivo e encaminhados à direcção provincial da administração pública,emprego e segurança social que cuidará do processo,segundo revelou o porta-voz da Educação no Namíbe, o também professor António Ngulawa.

"Em cerca de oitocentos professores admitidos que participaram do concurso público, houve um número considerável de professores que poderão repetir o seminário de superação das debilidades, porque não renderam, não demonstraram capacidade de estar à frente dos alunos, durante quarenta e cinco dias de formação. Quem não demonstrou, não pode ficar de maneira alguma à frente dos alunos, para não mutilar o futuro do país e, caso não consiga atingir as metas propostas,depois de trinta dias propostos adicionalmente,serão encaminhados à Direcção Provincial da Administração Pública,Emprego e Segurança Social,clarificou António Ngulawa.

A qualidade do ensino é a bandeira do sector da educação no Namíbe,dirigido por Pacheco Francisco, um dos quadros naquela província, considerado rigoroso e exigente. António Ngulawa explica as razões desta rigorosidade:"pretendendo a qualidade de ensino, daí que o director da educação orientou os formadores para que fizessem um acompanhamento sério quanto à caligrafia, quanto à maneira como o individuo dá a aula, à apresentação e só as pessoas que reunissem os requisitos é que estariam à frente dos alunos e que receberiam as guia. Essas pessoas é estariam prontas para trabalhar, porque, para que exista um bom governante, para que exista um bom director, para que exista também um bom professor,um bom padre,um bom pastor um bom juiz,é necessário que o professor tenha capacidade de formar este homem que, amanhã, virá servir a sociedade, porque - se assim não for - nós não teremos sociedades saudáveis", assegurou.

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