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Descoberta vala comum em Moçambique

  • André Baptista

Vala com cerca de 120 corpos encontrada por camponeses no interior da Gorongosa.

Uma vala comum, com centenas de corpos, presumivelmente de civis, foi descoberta por um grupo de camponeses esta quarta-feira, 27, na zona 76, no posto administrativo de Canda, interior da Gorongosa, na província moçambicana de Moçambique.

Os camponeses disseram que vários corpos, alguns já em ossadas, estavam estatelados numa antiga escavação a céu aberto, de onde se extraía saibro para as obras de reabilitação da N1, a principal estrada de Moçambique.

A zona fica igualmente próxima a uma mina ilegal de extração de ouro, que não é frequentada por garimpeiros devido aumento da violência armada na região.

“São cerca de 120 corpos descarregados lá”, explicou um dos camponeses, vaticinando que os corpos podem pertencer a civis sequestrados e assassinados por questões politicas ou a militares mortos em confrontos armados, entre o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança, que tem frequentes contactos na Gorongosa.

Por sua vez, uma fonte de uma organização humanitária na Gorongosa disse que devido à complexidade de segurança na zona, incluindo onde foi descoberta a vala, tem sido difícil verificar algumas denúncias sobre as atrocidades que ocorrem em várias aldeias.

“A zona é complicada para a entrada, há muitas desconfianças e não vale a pena pôr a nossa vida em risco. Nesta confusão é complicado chegar lá”, aclarou um dos responsáveis da organização.

Entretanto o administrador da Gorongosa, Manuel Jamaca, não confirmou e nem desmentiu a descoberta da vala comum, afiançando que o grupo de camponeses deveria ajudar as autoridades a investigar a situação.

“Neste momento não tenho nenhuma informação, não posso nem confirmar, nem desmentir” declarou Manuel Jamaca.

Há duas semanas, a Renamo na Gorongosa denunciou a morte de pelo menos 14 membros, executados nos primeiros três meses de 2016, e o desaparecimento de outras dezenas, incluindo os motociclistas que asseguravam a logística do líder, Afonso Dhlakama, que regressou ao seu esconderijo na serra da Gorongosa no início de Janeiro.

O maior partido da oposição atribuiu a acção aos esquadrões da morte.

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