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Surto de bilharziose em algumas regiões do Kwanza Sul

  • Fernando Caetano

Vista da cidade de Sumbe, Kwanza-Sul

Vista da cidade de Sumbe, Kwanza-Sul

A doença foi identificada pelas autoridades sanitárias do município da Cela como sistosomíase, antigamente chamada de bilharziose.

A doença foi identificada pelas autoridades sanitárias do município da Cela como sistosomíase, antigamente chamada de bilharziose. É uma epidemia que surge normalmente em crianças e adolescentes até os quinze a dezasseis anos pela ingestão de água imprópria e consequentemente utilizar a mesma água para banhos.
Urina com sangue provocando dores nos órgãos genitais é como a doença se apresenta, provocando emagrecimento paulatino nas pessoas.

O pequeno Maninho tem 12 anos de idade e já contraiu a doença na localidade de Catato onde reside. Sua mãe está muito preocupada com a saúde de seu filho. Celestina José é outra mãe de três filhos dos quais dois com bilharziose. Ela diz que na aldeia ninguém sabia da doença. Celestina diz também ter sido afectada pelo consumo do precioso líquido mas ao invés de sistosomíase, a ela provocou dores de cabeça e infecções na pele como se de queimadura se tratasse.

A doença não se regista apenas em crianças ou adolescentes. Até os adultos também contraem a sistosomíase, mas com receio, estes preferem calar-se e recorrer a meios tradicionais para a cura.

Funcionários afectos ao Ministério da Saúde já reconheceram a existência da epidemia nas localidades de Catato e Futa e dizem que o parasita que causa a doença utiliza como hospedeiro intermediário moluscos de água doce. Silva Jeremias, da Saúde local, e o soba de Catato explicam o surgimento da doença no seio das comunidades e consequentemente a preocupação que norteia as autoridades tradicionais:

“Urina de sangue é uma doença provocada por um parasita chamado sistosoma. Então é neste âmbito que nos leva a confirmar laboratorialmente e neste momento já não temos nenhuma desconfiança e temos toda certeza que a área está afectada desta epidemia.”

Catato fica a norte da cidade do Waku-Kungo e alberga mais de 200 famílias que consomem água retirada dos poços cujos cuidados deixam muito a desejar e o soba da região fala em números:

“Ontem foram identificadas 60 pessoas, de manhã foram 60 e poucas.”

O executivo local diz ter as condições criadas para que em pouco tempo as populações tenham água tratada.

O administrador do município, Isaías Bumba Luciano, que tornou público o facto, reafirma a vontade do seu executivo e do governo provincial na criação de mecanismos tendentes a reverter o quadro:

“A situação está sob controlo e nós tranquilizamos também as comunidades. A administração municipal, o governo da província do Kwanza-Sul, tudo estão a fazer para melhorar a qualidade de águas que consomem.”

Era o administrador da Cela, Isaías Bumba Luciano, preocupado com a situação sanitária nas localidades de Catato e Futa no município que dirige, onde mais de 500 pessoas estão a urinar sangue por falta de água potável.

A repartição de Saúde local está já a distribuir medicamentos para estancar a doença e segundo apuramos o parasiquentel é o comprimido identificado para a dose que se impõe na cura da sistosomíase.
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