"Sou refém e minha vida está desfeita", diz Arão Tempo

Arão Tempo, advogado e activista angolano

Advogado diz estar doente e que o filho sofreu tentativa de assassinato

O advogado Arão Tempo, detido a 14 de Março quando pretendia viajar para a República do Congo para tratamento diz ser um refém do regime.

Em entrevista à VOA nesta Terça-feira, 1, Tempo clama por justiça, revela que tentaram matar o filho e diz que não pode procurar tratamento nos hospitais com medo do pior.

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"Sou refém e minha vida está desfeita", diz Arão Tempo - 2:38

Preso no dia em que estava prevista uma marcha contra a violação dos direitos humanos e a governação em Cabinda, Arão Tempo foi colocado em liberdade provisória dois meses depois e, desde então, desconhece qualquer detalhe sobre o processo em que é acusado de colaborar com estrangeiros.

O advogado diz não ter havido qualquer acordo entre a Ordem dos Advogados e justifica a sua libertação.

“Não houve qualquer acordo, até porque a Ordem dos Advogados meteu um habeas corpus que foi indeferido, mas creio que o facto de não ter nenhuma acusação contra mim e frente à pressão de organizações nacionais e internacionais decidiram libertar-me”, conta Tempo.

Na conversa com a VOA, aquele advogado diz sentir-se como refém por encontrar-se num autêntico limbo jurídico, além de denunciar a tentativa de morte sofrida pelo filho.

“Ele foi levado para uma praia, mas felizmente não conseguiram matá-lo”, revela Arão Tempo, que diz ser seguido em todo o mundo por pessoas que tiram fotos da casa e querem saber com quem ele se encontra.

Doente, aquele advogado e activista em Cabinda, lembra estar impedido de sair de Angola.

Questionado por que não recorre aos hospitais, diz temer pela sua vida “porque a corrupção chegou a um ponto que não se pode imaginar”.

Arão Tempo e o seu advogado, Francisco Luemba, continuam sem conhecer os detalhes do processo e a fase em que se encontra, apesar das várias tentativas de obter uma resposta do instrutor.

Tempo diz que apenas quer que “Angola respeite as convenções internacionais e que seja feita justiça”.