Os presidentes da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda acordaram nesta quarta-feira, 6, criar um mecanismo ad-hoc de observação da cessação das acções militares a ser dirigido por um oficial general das Forças Armadas Angolanas.
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General angolano vai controlar cessar fogo Ruanda/RDC – 1:42
O anúncio foi feito pelo Presidente angolano no final de mais uma cimeira tripartida destinada a encontrar uma solução para o conflito que opõe aquelas duas nações africanas.
João Lourenço disse também que os dois governos vão reactivar a sua comissão mista bilateral e que a primeira reunião terá lugar no próximo dia 12, em Luanda.
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“Houve um entendimento perfeito entre nós, Chefes de Estado, que conduziram ao resultado que acabo de anunciar”, sublinhou João Lourenço na sua condição de mediador do conflito.
A Cimeira de Luanda foi antecedida de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países.
As relações entre os dois países vizinhos complicaram-se desde que a RDC recebeu, na parte leste, hutus ruandeses acusados de participar do genocídio de tutsis em 1994.
Em Março deste ano, a RDC acusou o Governo do Ruanda de enviar militares das forças especiais para o território congolês.
Por seu lado, o Ruanda nega apoiar os rebeldes e acusa o exército congolês de disparar contra o seu território e de lutar ao lado das FDLR, um grupo armado dirigido por hutus étnicos que fugiram de Ruanda depois de participar do genocídio de 1994.
A actual escalada da tensão deve-se ao ressurgimento do grupo M23 (Movimento 23 de Março), milícia armada que em 2012 fez oposição ao Governo congolês e gerou um violento conflito que forçou o deslocamento de milhares de pessoas na província do Kivu Norte.
O M23 era inicialmente uma milícia formada por tutsis da RDC e, alegadamente, apoiada pelos governos de Ruanda e do Uganda.
A 23 de Março de 2009, a milícia assinou um acordo de paz com o Kinshasa que culminou com a incorporação dos seus membros no exército da RDC.
Entretanto, em 2012, os rebeldes se reergueram contra o Governo da RDC, acusado de não cumprir a sua parte no acordo assinado três anos antes.
Nasceu, assim, o M23, em referência à data em que foi firmado o controverso pacto.