A ministra da Educação da Guiné-Bissau, Martina Moniz, pediu a demissão do cargo depois de se ter recusado a revogar um despacho em que substituiu alguns directores de escolas públicas.
Ela já foi substituída pela cessante secretária de Estado de Plano e Integração Regional, Mônica Buaro da Costa, pelo Presidente da República na sexta-feira, 31.
Veja Também Crise na educação hipoteca futuro de jovens na Guiné-BissauO caldo entornou quando, na reunião do Conselho de Ministros, realizada na quinta-feira, 30, Moniz foi interrogada pelo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que dirigia a reunião, se tinha revogado as nomeações de alguns directores, tendo a ministra respondido que não.
No final do dia, Martina Moniz, que, segundo as nossas fontes, terá enfrentado um “ambiente hostil” na reunião, na carta a que a Voz da América teve acesso, pediu a sua demissão, ao considerar que a participação dela no Conselho de Ministros “está condicionada à apresentação dos despachos de revogação do despacho que subsituiu os referidos directores”, e que “esses condicionalismos são atentatórios à minha honra e minha carreira política de longos anos” e “por uma questão de ética, coerência, de defesa da legalidade, princípios e valores que orientam a actividade governativa e adinistrativa”.
Veja Também “É muito complicado ser professor” na Guiné-BissauNa carta enviada ao primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, Martina Moniz conta ter substituído certos directores de escolas por motivações diversas, como “abandono do serviço para o estrangeiro, sem aviso, nem autorização, alegadamente para estudos e motivos de saúde”, bem como “brigas entre directores de escolas e professores e mau relacionamento com pais e encarregados de educação, corrupção...”.
A antiga ministra acrescenta que o despacho não foi acatado pelos directores,que terão recebido ordens de partidos políticos para não o fazerem, e revela que ela recebeu “pressão por parte de altos dirigentes, no sentido de revogar o despacho em questão, com alegações de que estaria a perseguir militantes de uma determinada formação política e de querer impedir esse partido de ganhar as próximas eleições”.
Nos dois decretos em que exonera Martina Moniz e nomeia a nova ministra, Mônica Buaro da Costa, o Presidente da República não invoca as razões do afastamento da antiga deputada do PRS.
Nem o Presidente da República, nem o primeiro-ministro reagiram à carta de Moniz.