Cidadãos não respondem a apelo de protesto para "ficarem em casa"

Ministério do Interior avisa que serviços de informação estão atentos a protestos

Activistas angolanos apelaram a um protesto nesta sexta-feira, 11, contra o Governo desafiando as pessoas a ficarem em casa, mas o apelo parece não ter surtido efeito em virtude de comércios, escolas e instituiçõe funcionarem normalmente.

Informações chegadas à VOA indicam que a "vida decorre normalmente" nas principais cidades do país.

Luanda no seu ritmo normal


Entretanto, frente a uma nova onda de manifestações contra o desemprego a partir do dia 15, convocada pelo auto-denominado Movimento Revolucionári, conhecido por revús, o porta-voz do Ministério do Interior, Valdemar José, afirmou ontem que os serviços de inteligência estão atentos às manifestações previstas para os próximos dias e avisou para as consequências das mesmas, se a lei for violada.

Em declarações à TPA, o subcomissário da Polícia Nacional, denunciou interesses “inconfessos” de criar instabilidade ao país e sublinhou que os angolanos têm o direito de se manifestar, mas devem cumprir a lei, depois dos apelos veiculados nos últimos dias pelas redes sociais, mobilizando a população angolana para ficar em casa.

Acusação do Presidente

Lourenço diz que desestabilizadores são angolanos que roubaram o país


Recorde-se que, também ontem, na abertura do congresso da JMPLA, o Presidente da República apontou o dedo àqueles que, segundo ele,"desviaram o dinheiro do país" e afirmou que esses aparentes militantes do MPLA não se comportam como tal e têm “o descaramento de falarem em nome do povo angolano”.

"Não são estrangeiros que querem desestabilizar o nosso país, são angolanos, aparentemente do MPLA - e digo aparentemente porque não se comportam como tal - com o descaramento de falarem em nome do povo angolano", disse.

O Presidente angolano foi mais longe e afirmou que "os que estavam embrulhados na corrupção, que desviaram dinheiro para fora do país, estão a utilizar esses mesmos recursos para financiarem a campanha de desestabilização".

Sem mencionar nomes, João Lourenço denunciou a existência de grupos angolanos no estrangeiro a utilizarem o dinheiro desviado do Estado para "desestabilizar Angola" e que esta campanha é contra Angola e não contra o Presidente.

"Quando eles desviaram o dinheiro do nosso país, repartiram com o povo? Repartiram com os jovens? E então como é que agora estão a falar em defesa do povo e dos jovens?", concluiu.