Angola: Comunidade islâmica alvo de perseguições

  • Eduardo Ferro

Angola: Comunidade islâmica alvo de perseguições

No seu relatório anual sobre a liberdade de religião, o Departamento de Estado americano, salienta que em Angola a comunidade islâmica continua a ser alvo de perseguições.

No seu relatório anual sobre a liberdade de religião, o Departamento de Estado americano, salienta que em Angola a comunidade islâmica continua a ser alvo de perseguições.

Apesar de referir que Angola respeita, regra geral, a liberdade de religião, o relatório relembra que o governo angolano não reconhece formalmente qualquer organização islâmica e refere vários incidentes envolvendo muçulmanos.

O relatório cita por exemplo o encerramento ou a destruição de várias mesquitas. Refere também a detenção de 50 membros de uma mesquita na cidade do Huambo depois de o templo ter sido incendiado.

Na sequência do incidente, autoridades locais informaram os líderes da mesquita que não podiam voltar a reunir-se visto que a religião islâmica não era reconhecida oficialmente.

Para além disso o relatório diz que imigrantes provenientes do vizinho Congo Kinshasa são criticados por importarem fés não-tradicionais e são frequentemente acusados de feitiçaria.

Citando um artigo do jornal angolano “Novo Jornal” o relatório refere ainda que durante os últimos 3 anos em Angola morreram mais de 400 pessoas submetidas aos cuidados de curandeiros tradicionais por causa de rituais violentos, agressões e ingestão de infusões tóxicas.

Relativamente a Moçambique, o relatório do Departamento de Estado que a liberdade religiosa naquele país continuou a ser respeitada nos últimos 12 meses.

Salienta contudo que apesar de elementos das principais religiões do país ocuparem altos cargos governamentais, a comunidade islâmica continua a queixar-se de estar sub-representada.

Por outro lado, a igreja católica e algumas organizações muçulmanas prosseguiram os seus contactos com o governo relativamente a propriedades suas confiscadas depois da independência. De acordo com a nunciatura papal o governo moçambicano continua a ocupar propriedades da igreja católica nas províncias de Inhambane, Maputo, Niassa e Zambézia.

No que diz respeito a Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, o relatório do Departamento de Estado afirma que esses países respeitam, regra geral, a liberdade de religião não havendo incidentes a registar nos últimos 12 meses.