Há descontentamento na Baixa do Kassange

Falta de habitação condigna - Um das queixas dos habitantes de Baixa do Kassange

Governo angolano promete melhorias

Angola assinalou Terça-feira o quinquagésimo aniversário dos Mártires da Repressão Colonial, num contexto particularmente diferente, mas com enormes dificuldades sociais para os sobreviventes do massacre da Baixa de Kassanje em 1961.
A localidade de Teka – Dia – Kinda, a 130 quilómetros de Malanje, acolheu o acto central nacional da efeméride, onde se deslocou uma delegação encabeçada pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa.
Os habitantes da região, por intermédio da Associação Nacional da Baixa de Kassanje aproveitaram o momento para reclamar a solução de muitos problemas, desde a água potável, escolas, serviços de saúde, estradas, pontes, a reabilitação das infra-estruturas de apoio a produção algodoeira inactivas a meio século.
“A construção de escolas do I e do II Ciclo, assim como institutos médios, a construção de hospitais e maternidades municipais, construção de habitações sociais condignas para a comunidade com mais de 60 anos, a implantação do programa água para todos e saneamento básico em toda a região. O enquadramento dos sobreviventes da luta de repressão colonial, o 4 de Janeiro de 1961, o processo de integração na classe dos antigos combatentes ou do Fundo de Pensões”,disse um porta-voz.
A região da Baixa de Kassanje integra os municípios de Quela, Kunda – Dia – Base, Marimba, Cahombo, Massango, Kiwaba – Nzoji, na província de Malanje e Xá Muteba, Cuango, Capenda Camulemba, e Lubalo, na província da Lunda-Norte.
O governador de Malanje, Boaventura da Silva Cardoso voltou a prometer, na aldeia de Teka – dia – Kinda, a construção a partir deste ano de um memorial e de outras infra-estruturas sociais em homenagem aos heróis daquele massacre.
“Podemos aqui dizer que o estudo e elaboração do projecto de um complexo nesta localidade, compreendendo o memorial e um bairro social é uma acção que consta do Programa de Investimentos Públicos do governo provincial de Malanje para esse exercício”, disse
As autoridades coloniais portuguesas reprimiram brutalmente a revolta dos camponeses da região, matando milhares de pessoas por exigir aos patrões da ex-companhia de Algodão de Angola (Cotonang) a isenção de pagamento de impostos e a abolição do trabalho forçado.
O ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa reiterou na cerimónia, que anunciou a realização em 2013 do primeiro senso populacional pós-independência, haverá melhoria das condições sociais de todos os angolanos.