Angola Fala Só - Raul Danda: "EUA deviam privilegiar relações com instituições democráticas de Angola"

Raúl Danda

Unita defende investigação independente aos confrontos com a seita A Luz do Mundo.

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22 Maio 2015 AFS - Raúl Danda: "EUA deviam privilegiar relações com instituições democráticas de Angola"

O líder da bancada parlamentar da Unita Raúl Danda disse que os Estados Unidos deveriam “privilegiar” as relações com instituições democráticas de Angola e não apenas com o Estado angolano.

Danda respondia a questões de ouvintes nos estúdios da VOA no programa “Angola Fala só” desta sexta-feira 22, em que defendeu também uma investigação independente aos confrontos no Huambo com elementos da seita A Luz do Mundo, que é o único meio de se saber o que se passou de verdade no monte Sumi.

Raúl Danda disse que todas as acções do Governo indicam que houve uma tentativa de esconder o que na realidade que se passou e que vídeos que foram vistos nas redes sociais indicam claramente que algo de “terrível” se passou no local.

“Como é que a TPA pode falar com o Kalupeteka e nós deputados não podemos?”, interrogou-se o deputado da Unita em referência ao facto de a televisão pública ter tido um breve acesso ao líder da seita Julino Kalupeteka na cadeia onde se encontra no Huambo.

“Quem não deve não teme”, acrescentou Danda para quem uma comissão imparcial de investigação, com a participação de todos os interessados, seria a melhor solução.

O chefe da bancada parlamentar da Unita recordou que o seu partido tinha pedido uma comissão parlamentar de inquérito e que esse pedido tinha sido ignorado.

Interrogado por um ouvinte sobre o facto de o governador do Huambo ter dito que Danda era “um mentiroso”, o deputado recordou que o Governo de Kundi Paihama lhes tinha dito que a sua delegação poderia ter acesso ao local, mas depois ausentou-se para Luanda.

"Posteriormente um administrador impediu a delegação da Unita de se deslocar ao local com o vice-comandante da policia a dizer que tinha ordens superiores para não deixar os deputados deslocarem-se ao local", contou Dando, dizendo que “uma investigação ira revelar quem é o mentiroso”.

Dezenas de ouvintes enviaram os seus números de telefone e perguntas através das redes sociais para o programa que abordou uma vasta gama de assuntos, desde as eleições autárquicas à situação dos veteranos.

“As eleições autárquicas deveriam ter-se realizado ontem”, aclarou Danda, condenando os atrasos na realização das mesmas.

O chefe da bancada parlamentar da Unita disse que o seu partido está a preparar “um pacote legislativo” para que as eleições autárquicas sejam realizdas m 2016.

Em resposta à pergunta de um ouvinte, Raúl Danda disse não ser verdade que o seu partido não tivesse ganho deputados em algumas províncias de Angola.

O parlamentar justificou a sua posição com a fraude eleitoral realizada pelo MPLA e apelou os eleitores a saírem às urnas nas próximas eleições e a votarem sem medo.

Raúl Danda refutou a acusação de ser apenas um partido de lamentações e reiterou que a Unita é um partido de acção.

“Os direitos que os angolanos têm devem-se à Unita, os direitos inseridos na constituição devem-se à Untia, a existência de uma comissão eleitoral independente deve-se à UNITA”, acrescentou, afirmando ainda que é devido a essas leis que o MPLA se vê forçado “a violar a lei”.

O líder parlamentar do partido do Galo Negro, na sequência do comentário de um ouvinte, disse estar "de algum modo desiludido” com os Estados Undos que têm privilegiado relações com o poder, ou seja com José Eduardo dos Santos”.

“Na realidade o mais importante e o mais saudável seria privilegiar relações com as instituições democráticas no país”, disse o deputado da Unita.

Raul Danda, que falou nos estúdios da VOA, integra uma delegação do seu partido que durante uma semana esteve em Washington em contactos com o Departamento de Estados, membros do Congresso, incluindo do Senado, Fundo Monetário internacional -"com quem tivemos uma discussão de certo modo acesa durante cerca de duas horas”, disse aquele político, organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional, o Instituto Republicano e o Instituto Nacional Democrático.

A delegação segue no fim de semana para a Bruxelas, Bélgica, onde vai manter contactos com instituições da União Europeia.