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Os enfermeiros na cidade de Luanda poderão acordar numa “possível paralisação” dos serviços para protestar contra o facto do Governo não ter ainda respeitado um caderno reivindicativo apresentado em 2012, disse Afonso Kileba, Secretário-geral do Sindicato dos Enfermeiros
Kileba disse que uma assembleia dos enfermeiros, no início do próximo mês, vai discutir a crise do sector de saúde, que revela a total incapacidade dos hospitais em lidar com as epidemias de febre amarela e malária.
Falando no programa "Angola Fala Só", Kileba disse que o facto do governo não ter respeitado o caderno reivindicativo criou “desmotivação” entre os trabalhadores.
Os enfermeiros fazem os seus turnos sem terem sequer “um copo de água para beber”.
Kileba disse que o governo será o culpado pela paralisação e não os trabalhadores.
O secretário-geral do sindicato dos enfermeiros recordou que há cinco anos que o sindicato tinha avisado o governo sobre as insuficiências no sistema, o que está devidamente documentado.
“Houve falta de atenção à vida humana ou desrespeito”, acrescentou.
O ouvinte Menakuanzambi Mbozo Manzambi descreveu a situação dramática que se vive nas morgues de Luanda, que não têm capacidade para o número de mortes que a cidade regista.
O ouvinte disse ter ido à morgue do Hospital Maria Pia à uma hora da madrugada de Quinta-feira e até ás três horas viu as pessoas a lavarem elas próprias os corpos de familiares.
Nesse espaço de tempo, disse ter assistido a retirada de 80 corpos, "além daqueles que estavam a ser depositados naquela madrugada”.
O ouvinte disse que a sua deslocação a essa hora da madruga foi necessária para poderem retirar um corpo, pois caso contrário isso torna-se “complicado” devido ao grande número de mortos.
“É difícil de explicar o que vi”, disse.
“As gavetas mortuárias cheias, vinte corpos podem estar a ser lavados por pessoas de cada vez," acrescentou Manzambi, que disse ter sido essa a segunda vez a deslocar-se à morgue.
“Mas aqui o que eu vi ontem é o mais grave,” acrescentou.
Segundo Kileba a causa principal deste súbito número de mortes é “a chegada tardia nos hospitais” agravada pela morosidade no atendimento pela falta de pessoal.
Para além da falta de medicamentos e outros materiais, disse Kileba o sistema de saúde faz face a uma enorme falta de pessoal.
Há situações em que 160 pacientes são cuidados por dois enfermeiros e apenas um médico.