Angola atrás de ‘irmãos’ africanos na corrida à prosperidade

Luanda

Historiador adverte para feridas do passado que continuam presentes num contexto de ataque a males como as guerras e a pobreza

Apesar de ter obtido já receitas petrolíferas de 500 mil milhões de dólares, valor não distante dos melhores Fundos Soberanos do mundo, Angola é suplantada em larga escala por países da região Austral de África e alguns lusófonos na corrida à independência económica.

No dia do continente, mais um dedicado a reflexões sobre desenvolvimento, democracia e cidadania, há indicadores que levam estudiosos a alertar para as consequências da falta de coesão.

Com três anos para chegar à Zona de Comércio Livre da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), onde encontrará uma África do Sul em alta na diversificação da economia, Angola continua sem soluções para sair das amarras do recurso que alimenta o seu Produto Interno Bruto.

“É certo que o petróleo já não rende divisas, mas podíamos contar com o café e produtos industriais e do mar, só que não temos para exportar. Angola só é superada pelo Iraque com o maior índice de concentração do petróleo nas exportações e, às vezes, chega a estar na liderança. O índice é de 0,96, sendo que o índice 0 é relativo a economias completamente diversificadas. O da África do Sul, um exemplo no continente, é de 0,17’’, explica o professor Francisco Paulo, com base em números do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica.

Até na base da alimentação, nomeadamente o milho, Angola foi ultrapassada por um vizinho que há quase 40 anos andava de mãos estendidas, conforme a comparação do agrónomo Fernando Pacheco.

“Uma Zâmbia que há 30 ou 40 anos não tinha nada, que se encontrava como nós actualmente, investiu muito na produção de sementes (milho). Hoje, vende muito, até a Angola’’, exemplifica o consultor.

Especialistas atenuam o problema quando analisam as três décadas de conflito armado, mas questionam o que chamam de ‘’projectos falhados’’ em quinze anos de paz.

Ouvido pela VOA, o escritor e historiador Armindo Jaime lembra, à luz da realidade africana, que os angolanos foram empurrados para as matas, de onde regressaram às escuras, quase que sem luzes para o futuro.

“Isto comprometeu-nos a nós, os lusófonos, e de que maneira, particularmente Angola. Foram três movimentos declaradamente a lutar contra um inimigo, que foi derrotado, mas por quem não sabemos. Até a sua derrota veio do exterior, foi consequência do 25 de Abril. Pena é que os movimentos ainda se olham como inimigos, tal como no tempo colonial’’, refere Armindo Jaime

Angola vista no contexto de alguns países do continente africano, hoje, 25, em festa.